| Juliana Beatriz Ferst Strapasson |
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A diva do inferno
(Diva do Inferno)
Prostíbulo na rua Riachuelo. Um antro de perdição, ao qual
anos freqüentei. Lá conheci Clara, uma menina que resolveu virar
garota de programa após ser iludida por um homem que, apesar de casado,
dizia que a amava muito e jurava céus e terras a ela.
Clara era diferente
das outras, não virou prostituta por necessidade e sim, por vingança,
e isso fazia dela especial. Conhecida como a Dama da Noite, fazia sexo com prazer
e deixava os homens loucos.
Clara era de encher os olhos, porém não era para ficar olhando
que eu a procurava.
Corpo de mulher e rostinho de menina. Quem imaginaria que alguém com
um semblante tão dócil poderia ser tão sádica.
Tudo começava ainda no bar, com um simples beijo. Depois subíamos
para o quarto, escuro, cheio de fotos pornográficas pelas paredes. Lá,
apenas a cama, uma cômoda com grandes gavetas e a porta de acesso ao banheiro.
Ao chegar no quarto, Clara não permitia que eu tirasse minha roupa. Quem
tirava era ela. Peça por peça, com a mão, com os dentes,
com a língua.
Depois fazia um strip-tease. Tirava vagarosamente cada peça: blusa, saia,
coturno; e rebolava de um jeito que me deixava super entusiasmado. Num simples
papai-mamãe
Clara fazia horrores. Eu sentia suas mãos em minhas costas, suas unhas
cravando em minha pele, que algumas vezes ficavam com marcas profundas; sentia
os pelos do meu corpo sendo arrancados um a um, e quando mudávamos de
posição me sentia como uma presa, sendo devorada por um animal
carnívoro; sentia sua língua, misturando saliva a meu suor; e
a força de seus tapas, que deixavam os sinais de suas mãos estampados
em minha pele. Pequenas dores que me deixavam ainda mais excitados.
Quando o cliente pedia, Clara usava objetos simples e cortantes, como agulhas,
facas, canivetes.
Aquela mulher parecia estar com o diabo no corpo, fazia o possível e
o impossível em cima de uma cama.
Impossível não sair marcado de lá, e impossível
eu não me apaixonar por ela.
Passei a freqüentar o prostíbulo todas as noites. Perdi mulher,
filhos, família; tudo por conta do amor que sentia por Clara.
Meu vício era ela. Todas as noites eu era seu escravo sexual. Dei a ela
algemas, chicote e tudo que fosse necessário para que nossas noites ficassem
ainda melhores e mais agressivas.
Nu e encoleirado, ela me fazia seu cachorrinho, e se eu não fizesse tudo
o que ela mandava, o chicote entrava em ação.
Convidei-a para largar o emprego e morar comigo, porém ela recusou. Afirmava
que tinha que trabalhar para sustentar a mãe e a irmã, e que o
prostíbulo já fazia parte de sua vida. Já que não
podia tê-la em casa, continuei freqüentado o estabelecimento todas
as noites: A tinha só para mim...
Isso era o que eu pensava. Me deixei envolver tanto nessa aventura que cheguei
a esquecer que Clara era uma puta. Diferente das outras, mas ainda sim, uma
prostituta.
Um dia ao chegar lá, Clara não estava no bar.
Perguntei a outra garota de programa onde estava ela, então respondeu-me
com um certo ar irônico:
- Meu amigo, nós somos prostitutas, se não estamos no bar procurando
clientes, estamos no quarto dando para eles.
No momento fiquei possesso. Subi no quarto dela, arrombei a porta, e a vi transando
com outro cara. O tirei de cima dela e desta vez quem bateu fui eu. Bati muito
nele, tanto que precisaram chamar alguns clientes que estavam no bar para separar
a briga.
Fui expulso do prostíbulo. Clara ficou muito chateada comigo, disse que
aquele era o trabalho dela e que homem nenhum tinha o direito de interferir
no que ela fazia.
Fiquei uma semana sem ir lá, mas a saudade era tanta que voltei. Clara
me desculpou, afinal, eu era um cliente freqüente e que pagava muito bem.
Duas semanas que voltei a freqüentar o bordel e ainda não me conformava
que Clara não fosse só minha.
Todo cara que saia do quarto, ou até mesmo se aproximava dela já
se tornava meu inimigo. Não conseguia mais me conter.
Uma noite convidei-a para mudar de papel comigo: eu seria o dominador e ela
minha escrava, porém eu queria exclusividade: aquela noite deveria ser
só minha. Clara a princípio não aceitou. Disse que o papel
dela era saciar os homens, e não ser saciada por eles e que, além
do mais, ela não poderia deixar de atender os outros clientes. Prometi
pagar-lhe R$ 1.000,00 reais a hora e ainda dei R$ 500,00 reais adiantado. Uma
oferta dessas Clara não poderia recusar, então no dia seguinte ela foi
só minha.
Subimos para o quarto. Dessa vez quem tirava nossas roupas era eu, e fui eu
quem algemou-a na cama.
Subi em cima dela e desta vez quem gritava era Clara, gritava não, gemia
de tanto prazer. Soltei-a. Testamos todas as posições e variações
possíveis e imagináveis.
Paramos por alguns minutos, porém eu ainda não estava satisfeito.
Amarei-a novamente na cama. Braços e pernas abertos, e toda ela era novamente
só minha. Peguei em uma de suas gavetas um canivete. Comecei a beijar
cada parte de seu corpo e a arranhá-lo. A cada beijo que eu lhe dava,
imaginava outro homem fazendo o mesmo, e não consegui controlar o ciúme.
Prometi que Clara não seria de mais ninguém, nem que para isso
ela deixasse de ser minha.
Tirei da gaveta o chicote e uma faca. Dei, várias vezes, chicotadas nela,
depois sentei sobre ela e dei vários tapas em seu corpo. Peguei a faca
e, com lágrimas nos olhos, cravei-a rapidamente em seu peito.
Dei várias facadas consecutivas para ter certeza que ela morreria.
Clara estava na cama, nua, amarrada e toda ensangüentada. Permanecia com
os olhos abertos que pareciam olhar para mim, mas, ainda sim, continuava linda.
Clara estava morta. Meu amor, minha diva, a melhor puta que conheci estava morta,
e agora sua alma deve estar deixando as noites quentes do inferno ainda mais
quentes.
(27/04/03)
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