As "cidades-estado" da Europa Medieval deram lugar às "cidades"
localizadas em um Estado, no sentido de País, o qual, por sua vez, passou
a compreender diversos Estados (Províncias, Cantões etc).
Eu resido em uma cidade de grande porte, Belo Horizonte, principalmente se considerarmos
as cidades que se localizam ao seu redor e que constituem com esta, a Grande
Belo Horizonte, capital do Estado de Minas Gerais. Uma cidade que cresceu aceleradamente,
como acontece com a maioria das capitais brasileiras, em razão do fenômeno
de atração dos cidadãos das cidades interioranas e do meio
rural para as capitais, devido à carência de oportunidades de trabalho
e estudo naquelas. Estes cidadãos, muitas vezes, ao contrário
do que imaginavam, nem sempre encontram estas oportunidades com que sonhavam
e são forçados a viver em condições precárias,
nas favelas, que tomam os morros que circundam as capitais, em bairros ou cidades
periféricas, e acabam constituindo o grande contingente dos desempregados
ou subempregados, ou, ainda pior, partindo para a marginalidade social, tornando-se
viciados, ou mesmo traficantes de drogas, ou ladrões, assassinos, participando
de "gangues" de marginais. Os jovens, assediados pelos traficantes
de drogas e sem oportunidades de trabalho e de estudo, acabam entrando também
nessas "gangues", que se disseminam pelos grandes centros urbanos.
Nas cidades ainda maiores, como Rio de Janeiro e São Paulo, estes problemas
ainda se agravam mais. Por outro lado, os grandes centros apresentam diversos
atrativos, como uma vida cultural mais diversificada do que as cidades menores,
uma infra-estrutura de escolas, faculdades, hospitais, teatros, shoppings, cinemas,
barzinhos, restaurantes, transportes etc, apesar de todas as deficiências,
ainda mais desenvolvidos do que os dos centros de menor porte.
As cidades que se situam no nível médio, sem a sofisticação
das capitais, mas com uma boa infra-estrutura a nível social e econômico,
estão passando a exercer atração para muitos cidadãos
das grandes capitais, que preferem abrir mão de certas opções,
mas correndo menores riscos, tanto eles quanto suas famílias.
Por outro lado, as cidades menores oferecem, ao lado de algumas evidentes vantagens,
algumas precariedades, como uma menor proteção diante de políticos
e membros da elite poderosos, menor intercâmbio cultural, fragilidades
diante de doenças, principalmente, endemias, pouca independência
individual, com pouca defesa perante "invasões de privacidade"
psicológicas, emocionais ou até mesmo físicas.
O grande fator, hoje, é o "índice de qualidade de vida"
que define as cidades em que se pode viver com menores riscos e com boas oportunidades
no âmbito social e econômico. Em Minas Gerais, a cidade de Poços
de Caldas é considerada a de melhor qualidade de vida. Localizada na
região Sul do Estado, é, de fato, uma bela cidade, que atrai muitos
turistas, com grandes hotéis, uma praça magnífica, um festival
de música clássica que já se tornou popular e uma história
peculiar. Há muitas décadas atrás, quando o jogo era praticado
livremente no País, os seus grandes cassinos viviam lotados pelos ricaços
de todos os cantos que os freqüentavam assiduamente, e o dinheiro abarrotava
os seus caixas. Depois da interdição do jogo no Brasil, os seus
cassinos fecharam e aquela grande fonte de lucro cessou, de uma vez por todas.
Toda a bela região Sul de Minas Gerais, composta, em boa parte, pelas
estâncias hidrominerais, famosas em todo o País e no exterior,
sofreu um duríssimo golpe, do qual se ressente até os dias de
hoje. E os milionários e demais jogadores passaram a viajar para o exterior,
e o lucro passou a ser dos cassinos estrangeiros e não mais dos nacionais...
E, ainda por cima, os Governos Federal e Estaduais exploram desenfreadamente
o jogo, na forma de bilhetes de loteria, loto-bola, sena etc, etc...
Mas, enfim, onde é o melhor lugar para se viver, nas grandes, médias
ou pequenas cidades? Acredito que seja uma questão de foro íntimo,
cada um que tome a sua decisão de acordo com a sua preferência,
levando em conta todos os fatores que possam influir na sua decisão,
positivos ou negativos.
Eu tive a ocasião de morar em outras cidades, além de Belo Horizonte,
como Rio de Janeiro, Brasília e Montes Claros, além de um pequeno
período em Icém, pequena cidade na fronteira São Paulo/Minas
Gerais. Residi por muito tempo em Brasília e, depois, retornei para a
minha cidade de origem. Quem sabe se, futuramente, não poderei morar
em uma cidade de porte médio, do litoral? Ou em Palmas, que dizem ser
a cidade que mais cresce no País, atualmente, capital do novo Estado
do Tocantins? Ou ficarei aqui mesmo, na minha BH? Só o tempo dirá.