Ela se escondeu dos tiranos, que diziam defender a verdade e se escondiam sob
as vestes eclesiásticas. E deixou a sua descendência para a posteridade.
E foi estigmatizada pelos que sempre a perseguiram, como se fora a grande pecadora.
Pois ela comungava do conhecimento original, da sabedoria daquele que a amava.
E mesmo quando morreu, seu túmulo permaneceu escondido. E muitas lendas
surgiram. E durante séculos, o seu estigma permaneceu. Depois, pouco
a pouco, com os descobrimentos dos antigos documentos, também escondidos,
como ela, que chegaram às mãos dos estudiosos, que buscavam a
verdade com imparcialidade, e não estavam comprometidos com dogmas religiosos,
a sua verdadeira imagem foi surgindo, de entre a neblina espessa que a encobria.
E percebeu-se o grande engano, a grande mentira, alimentada durante séculos
pelos tiranos, que participaram dos concílios, e criaram as bulas, os
dogmas, que mudaram os evangelhos segundo os seus próprios interesses,
e mantiveram na ignorância, no engano, milhões de pessoas durante
muitos séculos. E muitos permanecem enganados até os dias que
correm.
E muito sangue correu, daqueles que defendiam o conhecimento original, a sabedoria,
como, por exemplo, os gnósticos (cátaros, maniqueus, albigenses
etc), de quem ela era o símbolo maior. Eles defendiam o conhecimento
direto, sem intermediários, a que o homem tem direito, e que pode alcançar,
individualmente, desde que o busque dentro de si mesmo, no mais íntimo
do seu ser. Pois esta foi a mensagem original, depois deturpada pelos tiranos,
que desejavam o poder, acima de tudo, e não a verdade, e para consegui-lo
usavam de todos os subterfúgios, mentiras, imposições,
violência, prepotência, debaixo de uma aparência dissimulada.
Cruzadas foram feitas, para aniquilar os gnósticos, que foram massacrados
com extrema violência.
E muitos sábios e sábias foram torturados e queimados nas fogueiras.
As mulheres, especialmente, que, entre os gnósticos eram tratadas de
igual para igual, e respeitadas pelo que eram por si mesmas, e muitas por sua
sabedoria, e participavam dos rituais, lado a lado com os homens, foram perseguidas,
e milhares delas morreram nas mãos dos inquisidores. E durante séculos
permaneceram em posições subalternas na religião e na sociedade.
Daí porque ela também foi perseguida e marginalizada. Pois os
tiranos religiosos não aceitavam que uma mulher pudesse ser detentora
da sabedoria. Mas a verdade, que permaneceu encoberta, ressurgiu, depois de
muitos séculos. E hoje temos acesso a ela, e os estudiosos, os pesquisadores,
daqueles documentos originais, dizem, escrevem, publicam livros, em que dizem
abertamente a verdade, o que de fato ocorreu.
E ninguém pode mais dizer que não tem acesso à verdade.
Pois os livros, documentários, artigos, estão aí, à
disposição de todos os que buscam, de fato, a verdade. E o nome
desta mulher é Maria Madalena. Há diversas igrejas à ela
dedicadas, na França e em outros países, nas quais ela é
venerada como merece. Como Santa Maria Madalena; merecedora deste título
muito mais do que diversos santos, que o assumiram por razões políticas
ou ideológicas.