Os jogadores brasileiros precisam abrir um dicionário urgentemente para
aprender o significado da palavra "HUMILDADE". Entram em campo como
se fossem os donos da bola, apoiados por uma imprensa esportiva bairrista, espetaculosa,
que os endeusam ao primeiro lance de alguma técnica e efeito, ainda que
improdutivo.
O que sucedeu à Seleção Olímpica de futebol, para
o torcedor menos apaixonado, já era previsível, porque vem acontecendo
com freqüência nos últimos anos. Ninguém respeita o
nosso futebol como antes, mas alguns expert sempre dão um jeito de nos
enfiar goela abaixo os "maiores craques do mundo", e a nossa camisa,
segundo eles, mete medo só de vê-la em campo. Ledo engano. Os nossos
jogadores é que pareciam amarelados contra os chilenos, os argentinos
e os paraguaios. Nossa camisa não é nem mais leve nem mais pesada
do que qualquer outra, ainda com uma diferença: as outras são
usadas por quem as ama de verdade e as usa com orgulho e raça. A Seleção
que vimos em campo no pré-olímpico foi mal preparada, mal dirigida
e, principalmente, não demonstrou equilíbrio técnico dentro
de campo, muito menos teve equilíbrio para aceitar as derrotas.
Sob a visão de alguns comentaristas no entanto, que precisam apresentar
um espetáculo de futebol - ainda que não haja espetáculo
algum -, no papel as nossas seleções são sempre imbatíveis,
favoritas, que ganham mesmo antes de entrar em campo. Podemos até aceitar
o fato de esses "profissionais" serem pagos para promover o evento,
mas não é possível que iludam o torcedor porque os fatos
e as imagens falam por si só. Mesmo assim não têm coragem
de fazer uma crítica contundente a determinados dirigentes e jogadores.
Robinho e Diego, por exemplo, tratados como autoridades de alto escalão;
como os novos Pelé, parecem mais animadores de auditório do que
jogadores profissionais e responsáveis.
A lição nos foi dada mais uma vez pela equipe do Paraguai, que
humildemente, e com conhecimento da palavra, entrou em campo para lutar por
seu objetivo e não apenas para se exibir diante das câmaras como
meros bailarinos sem música, que, apesar de decepcionarem a torcida,
continuarão a ganhar milhões, mesmo que não tenham nenhum
respeito por aqueles que pagam ingresso para vê-los brilhar.