A Garganta da Serpente
Veneno Crônico crônicas
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Dia do corrupto

(Achel Tinoco)

O que mais resta ao Brasil senão chorar de vergonha? Vergonha por nos ser enfiada goela abaixo essa classe política que aí está; que se ri da cara do povo enganado a cada votação a favor e a cada nova falcatrua. No Brasil de hoje, corrupto não se aporrinha mais, não tem vergonha na cara, não se mata. Mente cinicamente e afirma que é inocente. Tudo não passa de perseguição política, eles dizem.

A absolvição do professor Luizinho e do outro compassa Brant, e depois o outro... é apenas mais uma prova incontestável de como funciona o esquema político adotado no governo Lula. Bem verdade, que de há muito nos acostumamos com os meandros e as maracutaias da política brasileira, até achamos engraçado um que rouba, mas faz, o outro que esconde todo o dinheiro lá fora, outro que não se lembra de nada. Mas agora a falta de decoro chegou a um patamar inimaginável, nem o Congresso Nacional se importa mais com a opinião pública, faz o que tem de fazer para satisfazer aos interesses dos seus membros e vota o que tem de votar, para agradá-los. O toma lá dá cá foi institucionalizado, ficou explicito e permanente, as barganhas de votar, a vagabundagem, tudo em nome da governabilidade...

Homens velhos que não se respeitam mais, nem as suas famílias, muito menos respeitam o povo que os elegeu, pois sabem que este povo, sem discernimento, certamente os elegerá de novo, na próxima campanha para qualquer coisa.

O Conselho de Ética então perdeu sua função e a importância, uma vez que os "nobres" colegas não acataram sua decisão de cassar os acusados de corrupção. Ora, desta vez o voto foi secreto. Uma contradição: se foram eleitos supostamente para representar o povo, então por que o voto tem de ser secreto? Pior: outros nove deputados da mesma estirpe vêm trilhando o mesmo caminho da antiética, para a cama da impunidade. Ética, aliás, para eles, é alguma coisa anômala, não sabem para que serve. Ouviram falar. E nós, os eleitores, assistimos a tudo isso, boquiaberto, sem coragem de calar o riso de cada um com um soco.

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