O que mais resta ao Brasil senão chorar de vergonha? Vergonha por nos
ser enfiada goela abaixo essa classe política que aí está;
que se ri da cara do povo enganado a cada votação a favor e a
cada nova falcatrua. No Brasil de hoje, corrupto não se aporrinha mais,
não tem vergonha na cara, não se mata. Mente cinicamente e afirma
que é inocente. Tudo não passa de perseguição política,
eles dizem.
A absolvição do professor Luizinho e do outro compassa Brant,
e depois o outro... é apenas mais uma prova incontestável de como
funciona o esquema político adotado no governo Lula. Bem verdade, que
de há muito nos acostumamos com os meandros e as maracutaias da política
brasileira, até achamos engraçado um que rouba, mas faz, o outro
que esconde todo o dinheiro lá fora, outro que não se lembra de
nada. Mas agora a falta de decoro chegou a um patamar inimaginável, nem
o Congresso Nacional se importa mais com a opinião pública, faz
o que tem de fazer para satisfazer aos interesses dos seus membros e vota o
que tem de votar, para agradá-los. O toma lá dá cá
foi institucionalizado, ficou explicito e permanente, as barganhas de votar,
a vagabundagem, tudo em nome da governabilidade...
Homens velhos que não se respeitam mais, nem as suas famílias,
muito menos respeitam o povo que os elegeu, pois sabem que este povo, sem discernimento,
certamente os elegerá de novo, na próxima campanha para qualquer
coisa.
O Conselho de Ética então perdeu sua função e a
importância, uma vez que os "nobres" colegas não acataram
sua decisão de cassar os acusados de corrupção. Ora, desta
vez o voto foi secreto. Uma contradição: se foram eleitos supostamente
para representar o povo, então por que o voto tem de ser secreto? Pior:
outros nove deputados da mesma estirpe vêm trilhando o mesmo caminho da
antiética, para a cama da impunidade. Ética, aliás, para
eles, é alguma coisa anômala, não sabem para que serve.
Ouviram falar. E nós, os eleitores, assistimos a tudo isso, boquiaberto,
sem coragem de calar o riso de cada um com um soco.