"Show é ganhar", dizia com toda empáfia o imperturbável
Parreira sobre o modo medíocre de como a sua Seleção vinha
jogando durante a Copa do Mundo de futebol. Pois é, a França deu
esse show e nos ensinou mais uma vez que não se ganha jogo de véspera,
que é preciso treinar e, acima de tudo, respeitar os mais velhos. O velho
Zidane, por exemplo, que toda a imprensa esportiva já dava como aposentado,
deu uma aula de mestre e aposentou com um só "chapéu"
a metade do nosso time.
Aconteceu que a mídia inventou uma Seleção mágica
que na verdade nunca existiu, e como se viu durante todo o período de
treinamento, ninguém treinou coisa alguma, nem havia esquema tático,
jogadas ensaiadas, um plano de jogo, resumia-se o tempo em embaixadinhas, pagodes,
festas... Cada qual exibindo seu Ego, Superego e até o Id, para as câmeras.
A boçalidade de Parreira não o deixou se preparar para a derrota,
como ele mesmo afirmou com arrogância, imaginou erroneamente que apenas
com a cor da camisa e o treze de Zagallo às costas seriam suficientes
para ganhar todos os jogos, ainda que fossem feios de se ver, não importava:
"Somos Penta! Faltam apenas três jogos para o Hexa!" Numa Seleção
composta por um Imperador, um Príncipe, um Fenômeno,
um Showman, mais os súditos, nada nos poderia acontecer senão
o título de melhor do mundo. O capitão Cafu até já
ensaiara para quem faria a homenagem à hora de erguer a taça.
Eis que surgiu no caminho da Seleção Galáctica um
velho mágico chamado Zidane, ou como muitos preferiram chamá-lo:
Sidane. Mas quem se danou foi o Brasil e todos aqueles que apostavam
numa vitória simples, sem luta e sem quaisquer dificuldades, apenas com
a categoria inigualável dos nossos craques e dos nossos comentaristas
e locutores, que vêem tanto brilho onde há somente um lampejo;
que vêem tanta estrela onde havia somente uma bola maltratada. Decerto
que a cobertura desta Copa suplantou qualquer outra: e como era bonito ver tantas
belas imagens do país da Copa, a Alemanha; e como era perfeito cada estádio;
mas como era chato o nosso futebol!
Agora, como perguntar não deve ofender a ninguém, cadê o
13 da sorte do Lobo Zagallo? E o quadrado mágico...? As meias pretas
de Arnaldo César Coelho...? O último a sair do ônibus depois
do pagode, sempre o mesmo jogador? Quem seria o craque da Copa: Kaká
ou Ronaldinho? Em time que ganha não se mexe? Etc. E para não
ser deselegante, não preciso falar da ignorância dessa gente.
Mesmo assim, apesar da derrota, da apatia da equipe, da falta de garra e de
todos os "podres" que vão surgir para explicar a desclassificação,
poucos ousam criticar o técnico Parreira, afinal, como costumam dizer,
ele é muito coerente. E como eu disse anteriormente, ninguém tem
o direito de chorar porque não ganhamos o Hexa, a nossa Seleção
mágica e imbatível só existia nos sonhos e no ufanismo
de Galvão Bueno.
Dito isto, é mais emocionante torcedor por Portugal de Felipão,
que é técnico de verdade.