A Garganta da Serpente
Veneno Crônico crônicas
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Show é vencer

(Achel Tinoco)

"Show é ganhar", dizia com toda empáfia o imperturbável Parreira sobre o modo medíocre de como a sua Seleção vinha jogando durante a Copa do Mundo de futebol. Pois é, a França deu esse show e nos ensinou mais uma vez que não se ganha jogo de véspera, que é preciso treinar e, acima de tudo, respeitar os mais velhos. O velho Zidane, por exemplo, que toda a imprensa esportiva já dava como aposentado, deu uma aula de mestre e aposentou com um só "chapéu" a metade do nosso time.

Aconteceu que a mídia inventou uma Seleção mágica que na verdade nunca existiu, e como se viu durante todo o período de treinamento, ninguém treinou coisa alguma, nem havia esquema tático, jogadas ensaiadas, um plano de jogo, resumia-se o tempo em embaixadinhas, pagodes, festas... Cada qual exibindo seu Ego, Superego e até o Id, para as câmeras. A boçalidade de Parreira não o deixou se preparar para a derrota, como ele mesmo afirmou com arrogância, imaginou erroneamente que apenas com a cor da camisa e o treze de Zagallo às costas seriam suficientes para ganhar todos os jogos, ainda que fossem feios de se ver, não importava: "Somos Penta! Faltam apenas três jogos para o Hexa!" Numa Seleção composta por um Imperador, um Príncipe, um Fenômeno, um Showman, mais os súditos, nada nos poderia acontecer senão o título de melhor do mundo. O capitão Cafu até já ensaiara para quem faria a homenagem à hora de erguer a taça.

Eis que surgiu no caminho da Seleção Galáctica um velho mágico chamado Zidane, ou como muitos preferiram chamá-lo: Sidane. Mas quem se danou foi o Brasil e todos aqueles que apostavam numa vitória simples, sem luta e sem quaisquer dificuldades, apenas com a categoria inigualável dos nossos craques e dos nossos comentaristas e locutores, que vêem tanto brilho onde há somente um lampejo; que vêem tanta estrela onde havia somente uma bola maltratada. Decerto que a cobertura desta Copa suplantou qualquer outra: e como era bonito ver tantas belas imagens do país da Copa, a Alemanha; e como era perfeito cada estádio; mas como era chato o nosso futebol!

Agora, como perguntar não deve ofender a ninguém, cadê o 13 da sorte do Lobo Zagallo? E o quadrado mágico...? As meias pretas de Arnaldo César Coelho...? O último a sair do ônibus depois do pagode, sempre o mesmo jogador? Quem seria o craque da Copa: Kaká ou Ronaldinho? Em time que ganha não se mexe? Etc. E para não ser deselegante, não preciso falar da ignorância dessa gente.

Mesmo assim, apesar da derrota, da apatia da equipe, da falta de garra e de todos os "podres" que vão surgir para explicar a desclassificação, poucos ousam criticar o técnico Parreira, afinal, como costumam dizer, ele é muito coerente. E como eu disse anteriormente, ninguém tem o direito de chorar porque não ganhamos o Hexa, a nossa Seleção mágica e imbatível só existia nos sonhos e no ufanismo de Galvão Bueno.

Dito isto, é mais emocionante torcedor por Portugal de Felipão, que é técnico de verdade.

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