Toda a imprensa, dias atrás, publicou com estardalhaço, com belos
textos e poesia, sobre o "Dia do Orgasmo". E tem o Dia da Macumba,
o Dia da Cachaça, o Dia do Goleiro... Só faltava o dia do orgasmo,
agora não falta mais, foi oficializado. Mas ontem, 25 de julho, ninguém
se lembrou de mim. Decerto não tenho importância sozinho, e o dia
de ontem não era dedicado a mim especificamente, mas a todos os que escrevem.
Ontem foi o DIA DO ESCRITOR, sim, senhor. Nenhuma mísera nota,
no entanto, li nos jornais, nenhuma alusão em qualquer programa de TV.
Posso até entender que ontem o Bahia ou o Corinthians ou o Flamengo iriam
jogar, por isso ocupa-se todos os espaços com belas matérias sobre
a genialidade de cada um perna-de-pau, sobre os dotes artísticos dos
técnicos, e sobre a importância dos jogos para o futuro do Brasil.
Mas não faria mal algum se se lembrasse do pobre escritor, ainda que
este não tenha qualquer relevância à ascensão política
do país; ainda que a cultura seja posta em último plano; ainda
que o escritor pertença a uma classe desunida. Mas ontem foi o seu dia
e ninguém se lembrou de nós. Não há problema que
o Brasil tenha um dos maiores índices de analfabetismo da América
Latina e a sua gente não consiga ler duas linhas de um jornal. Uma grande
foto com os jogadores perfilados já é o bastante para que se aculture
e entenda o significado das palavras abaixo:
Agüenta coração!, como diria um apaixonado narrador.
E como diria um inconsciente escritor, O povo não precisa de letras,
mas de pão e circo. E isso no Brasil ele tem à vontade.