E começou a propaganda eleitoral gratuita, para o desespero da maioria
da população. E começou do mesmo jeito que sempre começou:
todos muito simpáticos, lutadores pelas causas do povo, defensores dos
pobres e oprimidos. E com o mesmo direito a pedir o seu voto, em nome da ética,
da moral e do desenvolvimento. Como bons "Narcisos" que são,
sem exceção, eles fizeram muito pelo povo, e agora precisam novamente
do seu voto para continuar a luta e para fazer do Brasil um país igualitário,
democrático, quem sabe até, um país poético. E por
que não?
São ainda paladinos de uma justiça que ninguém conhece,
invisível, feita para alguns. Qual seja: a mesma justiça que os
impede de serem cassados a guisa das sanguessugas, dos mensaleiros,
dos delúbios e dos valérios. A mesma justiça
que os permite voltar à cena para pedir seu voto, com a cara limpinha
como se fosse encerada ontem à noite, com palavras fortes para prometer
um mundo de sonhos - salário mínimo de 1.900 reais; metrôs;
milhões de famílias assentadas; reforma agrária; segurança;
saúde e educação para todos. Como eu disse, um mundo de
sonhos.
E tem uma mamãe centenária, um coronel reformado, a mulher de
um emergente político, uma garota de programa e o filho de fulano, entrando
em sua casa no horário nobre para pedir seu estimado voto. A qual partido
pertencem? É o de menos, não há mais partidos no Brasil,
foram nivelados na mesma prateleira política, uma vez que não
se tem fidelidade, muito menos devem ter ao eleitor que lhes emprestar um voto
de confiança. Mas insistem em construir um Brasil novo, vigoroso, justo,
para que não tenhamos inveja de outros países, ou apenas citemos
os exemplos lá de fora. E cabe até uma citação filosófica:
"Um Brasil de todos!".
Não, caro eleitor, não exijamos tanto desses candidatos, apenas
cumpram o mandato que lhes couber com honradez e vergonha na cara. E se assim
o fizerem já nos damos por satisfeitos. Rezemos, pois, para que tenhamos,
simplesmente, deputados de mãos limpas, governadores idôneos, e
um presidente de olhos abertos.
- Ah, se não for pedir muito, que Deus nos livre dessa corja!