A palavra da vez é Conciliação ou, dependendo do ângulo de visão dos candidatos, Reconciliação, como se fossem velhos casais de namorados que passaram um tempo brigados e agora, em prol dos filhos que ainda não têm, precisam conversar e fazer as pazes. Assim os candidatos ao Planalto e aos governos estaduais, se comportaram depois do resultado das urnas, unânimes em agradecer ao povo e elogiar a conduta respeitosa dos adversários mesmo quando vez por outra foram chamados de ladrões, mentirosos, anarquistas. Daqui por diante viverão na calmaria política até o próximo pleito, e em nome da governabilidade hão de se dar as mãos, mãos nem sempre limpas, é verdade, mas necessárias à festa da democracia, como eles gostam de dizer, já que todos comem do mesmo pirão e no mesmo prato. Se sobrar alguma fatia do bolo, decerto pensam em dividir com o povo - e como o povo é lembrado nesse momento! Tudo pelo povo e para o povo. Assim se faz o jogo da política: durante certo tempo não vão mais falar das elites, porque nesse jogo político, todos precisam de um tempo para descansar, ganhar novo fôlego, fazer alianças ao bom andamento do país. Se preciso for, eles até vão pedir perdão, não pelos erros cometidos, mas pelos excessos, pelo discurso vazio e pela retórica eleitoreira. Mas não há mágoas entre eles, não, concordam que o que se disse ontem, não vale para hoje, e o amanhã a Deus pertence, então à luz da festa da vitória não existe espaço para recordações dolorosas, afinal ninguém saiu perdendo, somente o povo é claro, que cumpriu o dever obrigatório de ir as urnas depositar o seu voto, e se assim o fez, não tem por que se lembrar do velho dossiê, da educação, da saúde, da segurança... Deixe tudo para lá, afinal, a beleza da democracia é isso: todos se abraçam no final do jogo...