Ah, se a vida de cada um de nós, pobres mortais, fosse igual a dos políticos.
Seriamos sempre jovens e revitalizados. Bastaria trocar o nosso nome a cada
década e uma década estaríamos automaticamente rejuvenescidos,
como na política. Na política é assim: basta trocar o nome
de um partido e pronto, lá estão eles, os seus afilhados, outra
vez moços, em plena forma física, preocupados tão-somente
com a saúde da população, com a educação
e, para não ficar fora de moda, com o meio ambiente. Ah, e com o aquecimento
global também, se bem que eles não devem se importar muito com
isso, não, preferirão seus gabinetes climatizados.
A cara feia e enrugada do PFL dá lugar à jovialidade e à
beleza dos "Democratas", com outras idéias, com outra mentalidade
fresquinha. Ora, o povo entende que é preciso mudar sempre, claro, uma
plástica aqui, uma lipo ali, uns mililitros de silicone no cérebro
- é preciso se sentir bem consigo mesmo, afinal de contas vivemos numa
democracia -, e eles voltam repaginados, revigorados, com suas barrigas de jacaré
ou de tanquinho, o peito estufado, a língua afiada, com uma nova agenda
a seguir. Quem não estiver de acordo com essa aparência, não
se estressa, volta à mesa de reformas partidárias e sai de lá
um "Republicano", um "Mexicano", quiçá um
Carlista, um Lulista, um Chavista, e por que não
um Collorido? - Todos merecem uma segunda chance, né mesmo?
Ou simplesmente fica onde está: no PT, no PDT, no PSDB, já não
nos importamos com as legendas, com as siglas, estamos acostumados a ver os
camaleões pulando de galho em galho em nossos quintais...
Somente os políticos continuam os mesmos.