A Garganta da Serpente
Veneno Crônico crônicas
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A nova cara de velhos políticos

(Achel Tinoco)

Ah, se a vida de cada um de nós, pobres mortais, fosse igual a dos políticos. Seriamos sempre jovens e revitalizados. Bastaria trocar o nosso nome a cada década e uma década estaríamos automaticamente rejuvenescidos, como na política. Na política é assim: basta trocar o nome de um partido e pronto, lá estão eles, os seus afilhados, outra vez moços, em plena forma física, preocupados tão-somente com a saúde da população, com a educação e, para não ficar fora de moda, com o meio ambiente. Ah, e com o aquecimento global também, se bem que eles não devem se importar muito com isso, não, preferirão seus gabinetes climatizados.

A cara feia e enrugada do PFL dá lugar à jovialidade e à beleza dos "Democratas", com outras idéias, com outra mentalidade fresquinha. Ora, o povo entende que é preciso mudar sempre, claro, uma plástica aqui, uma lipo ali, uns mililitros de silicone no cérebro - é preciso se sentir bem consigo mesmo, afinal de contas vivemos numa democracia -, e eles voltam repaginados, revigorados, com suas barrigas de jacaré ou de tanquinho, o peito estufado, a língua afiada, com uma nova agenda a seguir. Quem não estiver de acordo com essa aparência, não se estressa, volta à mesa de reformas partidárias e sai de lá um "Republicano", um "Mexicano", quiçá um Carlista, um Lulista, um Chavista, e por que não um Collorido? - Todos merecem uma segunda chance, né mesmo?

Ou simplesmente fica onde está: no PT, no PDT, no PSDB, já não nos importamos com as legendas, com as siglas, estamos acostumados a ver os camaleões pulando de galho em galho em nossos quintais...

Somente os políticos continuam os mesmos.

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