A Garganta da Serpente
Veneno Crônico crônicas
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O decoro do deputado Clodovil

(Achel Tinoco)

O deputado Clodovil Ernandez representa bem o circo em que se transformou o Congresso Nacional, com um agravante: ele não é engraçado, mas se acha o máximo. Não bastasse sua arrogância e grosseria, também mostra um lado que o seu eleitor decerto desconhecia: o preconceituoso, porque ignorante ele demonstrou que era tão-logo chegou para ocupar o seu lugar na Câmara, quando disse não saber o que estava fazendo lá. Logo ele, tão metido a culto e a filósofo!

O ignóbil deputado faltou sim com decoro ao ofender uma colega de trabalho, chamando-a vulgarmente de "puta feia". Mais do que isso, desrespeitou a Casa onde supostamente trabalha e todas as mulheres, qual fosse ele o mais belo dos belos, o espécime mais raro que Deus já criou. Aliás, é sabido que o senhor Clodovil só está ali para ganhar uns trocados, justamente porque jamais conseguiu conviver com outros colegas em todas as empresas pelas quais já passou - não esqueçamos a ofensa gratuita a Adriane Galisteu num programa de TV -, conseqüentemente andava sempre desempregado e até passando fome, como chegou a afirmar em alguns programas...

Cabe agora aos deputados puni-lo exemplarmente com a perda do mandato para que outros fatos com esse não se repitam na próxima semana. A Câmara precisa discutir tantos assuntos urgentes do país, não pode ficar parada, todo mês, para escutar os desaforos do senhor Clodovil, um deputado invejoso que está lá apenas como figura decorativa e nada acrescentará à humanidade nem àqueles que o elegeram, senão mostrar o seu visual extravagante, suas roupas novas e os seus chiliques.

Então, na próxima eleição, que o povo aprenda a votar.

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