Santo, santo, santo. Talvez assim se possa no futuro definir o presidente Lula.
Hoje nenhuma crítica o incomoda, nenhum escândalo desalinha sua
barba. Nada. Seus índices de aceitação continuam aumentando
entre a população, graças principalmente a sua política
do faz de conta e do dá, dá, dá.
Se ele fosse pego com uma metralhadora nas mãos assaltando um banco,
alguém haveria de dizer ainda que a metralhadora fora pregada às
suas mãos por um desafeto político da oposição e
o dinheiro posto em seus bolsos por um afiliado do PT com o objetivo único
de preservá-lo, caso Sua Excelência precisasse pegar um táxi
para voltar ao palácio. Tão logo chegasse lá, ordenaria
a seus assessores que encontrasse depressa o aposentado que deixara cair no
chão aquela quantia, afinal, completaria ele, nunca na história
deste país houve um presidente tão íntegro e inocente...
Ou seja: tudo de bom que acontece no Brasil de Lula, foi ele quem fez; tudo
de ruim, ele não viu, sequer ficou sabendo. A intocabilidade o
atingiu em cheio, e não adianta espernear, o povo é seu manto
sagrado; o pobre, a sua bandeira. Principalmente ele, continuará a repetir,
porque desceu do Sertão montado no lombo de um jegue manco até
chegar a São Paulo, depois de meses de estrada, conhece todos os famintos
do país, seus problemas e a solução destes, muito embora
ainda não os tenha resolvido completamente: nenhum quilômetro de
asfalto construído, meia dúzias de sem-terras assentados, umas
poucas árvores pelo chão da Amazônia e alguns analfabetos
nunca são demais... Mas aí, o antigo metalúrgico dirá
de pronto, a culpa é das classes dominantes e dos intelectuais, como
se os políticos, os governantes como ele, não fizessem parte dessa
classe, apenas uns abnegados que dão a vida pelo povo. Mas que povo?
Onde está esse povo? Ora, continua lá, continua cá, em
todo lugar, arrastando sua sandália de dedo, justamente para continuar
pobre e para continuar povo.
Pois sim, "nunca na história deste país" as crises foram
tão constantes, a corrupção tão evidente, tantas
garfes foram cometidas, tanta língua foi desrespeitada, tanta violência
foi vista subindo e descendo os morros das cidades. Mesmo assim, nada importa,
o presidente vai passando incólume, único, Narciso, montado agora
numa nuvem de prosperidade e realizações, falando e se gabando
sobre a Estabilização da Economia, o PAC, o Fome
Zero, a Globalização. Decerto foi ele também
quem criou a Globalização, a Abolição e a Transposição
do rio São Francisco - mais tarde, rio Lulalá, proposto por um
genial deputado da situação.
Mas não vamos aqui ser intolerantes ou críticos demais, porque
não devemos ir de encontro à opinião do povo e ficar cobrando
melhorias na educação, na saúde, no transporte público,
no lazer, na justiça... isso deixemos para depois. Como diz o presidente,
o povo agora tem a barriga cheia, o sorriso chapeado. O povo tem futebol e carnaval.
Ah, já ia esquecendo o mais importante, tem Lula por mais 20 anos.