A Garganta da Serpente
Veneno Crônico crônicas
  • aumentar a fonte
  • diminuir a fonte
  • versão para impressão
  • recomende esta página

O MST e o Governo

(Achel Tinoco)

Não devia haver tanta dificuldade ao presidente Lula para encontrar um seu sucessor, era só procurá-lo entre os lideres políticos do MST (Movimento dos Sem-Terra), que com maestria, organização e violência andam por todo o país pintando esse "Abril Vermelho", sem que nenhuma autoridade os condene ou os recrimine, nem mesmo os repreenda de acordo com a lei. Como se estivesse na casa da "mãe-joana", eles saqueiam, destroem, barbarizam, gritam a plenos pulmões palavras de ordem, para que possamos ouvir seus brados partidários, ainda que sejam incompreensíveis muitas vezes. Está claro que este movimento - justíssimo noutras épocas e noutros cenários - perdeu o objetivo e a essência, que era lutar pacificamente pela terra, a terra que coubesse àqueles que nela iriam prover a família e ordenar a vida, e não essa terra de conflitos políticos e de propagandas políticas, e de camisetas e bonés políticos, como vemos prosperar no Brasil, sem regra e sem sentido, que não seja o da exploração execrável de uma bandeira vermelha, de um abril vermelho e de um partido vermelho, como se o vermelho fosse santificado, como o foi outrora na Rússia e hoje na Venezuela, montado à foice e a sangue de um comunismo imaginário.

Se o direito à propriedade é inviolável, o governo está pisando em sua própria retórica, afinal não fez a Reforma Agrária que tão arrogantemente pregoara, como se numa "canetada" só pudesse tudo ser resolvido. Pior: está permitindo que o movimento, antes lícito e justo, se transforme num grupo radical - quão radical foi o Sendero Luminoso, o ETA, o IRA e hoje as FARC -, e dentro deste, encontre-se o sucessor do companheiro Lula.

Mas aí, com certeza, este não será tão engraçado como Lula pensa que é.

Copyright © 1999-2020 - A Garganta da Serpente