A Garganta da Serpente
Veneno Crônico crônicas
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Os olhos azuis da crise

(Achel Tinoco)

Dessa vez, Lula superou-se, conseguiu ser mais genial que o “Bem-Amado” Paraguaçu. Ao comentar sobre a crise econômica vigente, diante do primeiro-ministro inglês, Gordon Brown, afirmou que a mesma foi criada por pessoas brancas, de olhos azuis, e mais: não conhece nenhum banqueiro negro ou índio, como se negro ou índio fossem todos os banqueiros, não eclodisse a crise, posto está. O primeiro-ministro ficou ainda mais branco! Por pouco, então, o presidente não citou o holocausto como fonte de indignação à sua retórica engraçada. Mas bem que tentou se expressar de modo que a plateia entendesse por entre linhas tortuosas, embora escritas corretamente por ele, que a solução do problema passa inevitavelmente na reparação oferecida pelas cotas, ora para negros e índios banqueiros, e que essas cotas sejam disseminadas por toda a Europa, Ásia, África, quiçá também pela América do Norte. E na América do Sul, não? Aqui não, os presidentes Lula, Chávez e Morales já compunham um bloco socialista, indigenista e ‘negrista’, que garante a todo cidadão - que não seja branco e de olhos azuis - uma cota para comer bem, ingressar na universidade e se tornar banqueiro.

Decerto o presidente vai concorrer ao Nobel de economia, porque descobriu, tão indelicadamente, o “caminho das pedras” e a igualdade entre os povos que não tenham os olhos azuis. A globalização da raça ou a igualdade de todas as raças de uma mesma pele e de olhos igualmente negros, porque Lula assim acha que deve ser, no seu afã de ser único, insuperável e insubstituível, sempre bradando em nome do povo, desse povo amouco que o aplaude mesmo quando não entende bulhufas do que ele diz.

Assim caminha o presidente para 2010.

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