Que mais podemos fazer senão criticar, senão mostrar e pedir
que todos leiam e vejam bem como são as coisas na Bahia? Como sabemos,
o Museu Carlos Costa Pinto, na Vitória, está agonizando: as portas,
à porta de serem fechadas por falta de dinheiro, e a diretora escorando-as
com as próprias mãos para que não as fechem. Mas esta semana,
a conta de luz foi cortada por falta de pagamento, a metade dos funcionários
foi demitida, as peças de arte descuidadas.
Outro dia todo o acervo de Jorge Amado quase foi perdido porque o governo não
se dispunha a pagar alguns tostões para mantê-lo entre nós,
e se não fosse a intervenção de João Ubaldo, estaria
agora em Paris. Enquanto isso, os grandes artistas da Boa Terra, que têm
projeção internacional, pouco dizem e pouco fazem para amenizar
a situação, pelo contrário, usam de suas importâncias
tão somente para conseguir o que almejam, contanto que se verta em benefícios
para si próprios, como foi o caso de Caetano Veloso, que pleiteou - e
conseguiu - junto ao Ministério da Cultura uma verbinha de 2 milhões
de reais para patrocinar sua nova turnê pelo Brasil. Ora, será
mesmo que essa turnê não se pagava? Não seria ela auto-sustentável?
Claro que sim, um artista como ele tem público cativo, no entanto com
influência e aquela conversa tudo se ajeita para os grandes, enquanto
que os pequenos têm a porta fechada na cara, como acontece, vergonhosamente,
com o museu.
Parece que os artistas daqui só são baianos na hora da propaganda,
das homenagens, da festa. Quando precisamos que levantem a voz para defender
a Bahia e a sua história ou para defender a sua gente, eles não
podem; têm compromissos; estão cansados. Já temos tão
pouco de cultura, não é justo perder mais um espaço como
o é aquele belíssimo museu, ou será que nos basta apenas
a reconstrução da Fonte Nova, o Carnaval ou a música dos
famosos?
Não, acho que não, nos bastará também a alegria
de vermos nossa cidade bem cuidada, com seus monumentos e praças protegidos
e um povo alegre que gosta de tudo: das igrejas, das praias e até dos
museus.