Crise ética? Moral? Ora, não sejamos tão condescendentes
e usar palavras assim amenas e pomposas para definir toda aquela vagabundagem
e falta de vergonha do Congresso. O que há lá é um poço
sem fundo, enlameado, onde porcos famintos reviram a gamela atrás dos
farelos, e todos nós os aceitamos sem gritar, sem espernear, sem questionar,
ainda fazendo troça da situação, como se os respingos da
lama não nos atingissem diretamente. Pelo contrário, bancamos
a pocilga política.
Tudo é aceito, por fim, em nome da democracia, mas uma democracia exercida
somente por eles, porque o bolo só é dividido igualitariamente
entre eles, os políticos de um governo populista que nada ver e nada
ouve e nada sabe além dos ruídos das próximas eleições
já à porta. Essa raça que no Congresso se especializa e
finge que nos representa, decerto nunca abriu um dicionário para entender
o significado da palavra ética, menos ainda moral. Vem de um molde antigo
e vicioso, onde cada qual tem como objetivo primeiro locupletar suas burras
ordinárias para depois, como projeto político, se for de jeito,
tornar-se dono de parte do Brasil - ou do Brasil todo se possível for
-, e apor o nome na velha história como se inventasse novamente a roda.
Com esse sistema manjado, um colega punirá o outro jamais, por isso a
bagunça está institucionalizada dentro da pocilga.
Fosse diferente e justo e sério: um parlamentar, qualquer um que utilizasse
passagens aéreas fora do propósito para o qual foram 'inventadas';
que recebesse auxílio-moradia somente para comprar outro apartamento
num flat; que desse a volta ao mundo de carro e ainda sobrasse combustível
para presentear aos amigos; perderia o mandato sumariamente por falta de decoro
- leia-se falta de vergonha mesmo -, sem direito a quaisquer recursos e ainda
responderia na justiça por tais atos ilícitos e amorais.
Mas como já o sabemos, a política é uma colcha de retalhos,
costurada por todas as mãos sujas do poder, para entrapar o povo. Portanto,
a decantada "Crise Ética" nada mais é do que uma 'marolinha'
de olhos azuis, castanhos, negros... e outros que nada veem.