A Garganta da Serpente
Veneno Crônico crônicas
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Moral e ética

(Achel Tinoco)

Crise ética? Moral? Ora, não sejamos tão condescendentes e usar palavras assim amenas e pomposas para definir toda aquela vagabundagem e falta de vergonha do Congresso. O que há lá é um poço sem fundo, enlameado, onde porcos famintos reviram a gamela atrás dos farelos, e todos nós os aceitamos sem gritar, sem espernear, sem questionar, ainda fazendo troça da situação, como se os respingos da lama não nos atingissem diretamente. Pelo contrário, bancamos a pocilga política.

Tudo é aceito, por fim, em nome da democracia, mas uma democracia exercida somente por eles, porque o bolo só é dividido igualitariamente entre eles, os políticos de um governo populista que nada ver e nada ouve e nada sabe além dos ruídos das próximas eleições já à porta. Essa raça que no Congresso se especializa e finge que nos representa, decerto nunca abriu um dicionário para entender o significado da palavra ética, menos ainda moral. Vem de um molde antigo e vicioso, onde cada qual tem como objetivo primeiro locupletar suas burras ordinárias para depois, como projeto político, se for de jeito, tornar-se dono de parte do Brasil - ou do Brasil todo se possível for -, e apor o nome na velha história como se inventasse novamente a roda. Com esse sistema manjado, um colega punirá o outro jamais, por isso a bagunça está institucionalizada dentro da pocilga.

Fosse diferente e justo e sério: um parlamentar, qualquer um que utilizasse passagens aéreas fora do propósito para o qual foram 'inventadas'; que recebesse auxílio-moradia somente para comprar outro apartamento num flat; que desse a volta ao mundo de carro e ainda sobrasse combustível para presentear aos amigos; perderia o mandato sumariamente por falta de decoro - leia-se falta de vergonha mesmo -, sem direito a quaisquer recursos e ainda responderia na justiça por tais atos ilícitos e amorais.

Mas como já o sabemos, a política é uma colcha de retalhos, costurada por todas as mãos sujas do poder, para entrapar o povo. Portanto, a decantada "Crise Ética" nada mais é do que uma 'marolinha' de olhos azuis, castanhos, negros... e outros que nada veem.

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