Não poderíamos deixar em branco tão desavergonhado cúmulo,
este cuja publicação já foi imposta ao Diário Oficial,
e outro de semelhante teor desavergonhado, cuja aprovação ao projeto
espera para logo. Vamos a eles:
Na Bahia das desleixadas ratazanas, das malcheirosas vielas, das mais cínicas
"refestelações", aqueles funcionários públicos
sem quaisquer perspectivas de além que não seja tricotar o tempo
à espera longa da aposentadoria miserável, se se aventuraram ou
se aventurarem na carreira política, têm seus méritos finalmente
reconhecidos. Candidato que foi, ou será, reeleito deputado estadual,
tem por toda a vida, de modo redundante mas vitalício, exercendo o mandato
ou não, o último salário de parlamentar como aposentado.
Não é conversa de botequim, quem dera fosse, não nos sentiríamos
tão incomodados e desgovernados. De quem foi esta 'ratoeira'? De um tal
Luciano Simões. Alguém o conhece? Do mesmo PMDB a qual pertence
José Sarney, aquele dos atos secretos, das assinaturas fantasmas e do
bigode postiço; o do mesmo barro, da mesma farinha, do mesmo saco. Este
parlamentar, o Simões, ao qual nos referimos, alega da tribuna que foi
eleito para nos representar, seguindo a cartilha da velha utopia de direita
e de esquerda, quiçá de meio, um homem do povo que do povo tirou
os votos, e para o povo agora distribui bananas e ratoeiras. Adiante vai ele,
no final do mês, manquitolando, as mãos ensaboadas, a boca torta,
ganhar sua gorda aposentadoria.
Nesta mesma Bahia dos burros surfistas, dos cavalos de fraldas e dos cavaleiros
chorões, eis que surge, de salto alto e minissaia moonwalker,
o vereador Léo Kret, que apresenta um projeto de lei concedendo a Michel
Jackson o título de "Cidadão de Salvador". Não
estamos falando de Thriller, o clip, nem de outra história de
terror, mas do sepultamento da vergonha na cara de políticos baianos.
Para receber o famigerado título, viriam à capital baiana os pais
do astro pop, com todas as despesas pagas pelo município, como pretende
o vereador, mas não tem certeza, porque ainda não conhece as leis
vigentes, está-se inteirando dos rega-bofes, dos aviamentos e dos pontos
em cruz, podemos assim dizer. Esperemos que não seja necessário
fazer o traslado do corpo do cantor dentro daquele caixão banhado a ouro
para assistir à cerimônia, sob pena de o mesmo ser furtado à
porta da câmara antes dos discursos finais. Pior seria o ignaro vereador
a imitar seus passos, não os de morto, mas os de vivo, enquanto que o
povo eleitor dança lá fora os passos da gente sem nada entender.
Não sei se foi este vereador assessorado por aquele deputado, ou se foi
aquele deputado padrinho deste vereador, mas ambos, conjuntamente, poderiam
bem apresentar um projeto para a construção - anexo à câmara
e à assembléia -, de um manicômio político onde pudéssemos
internar cada vereador e cada deputado que tal ideia tivesse.