Blindagem. Agora é de bom tom blindar. Blindam-se tudo: o carro da família,
a memória do artista e, principalmente, a ministra-chefe da Casa Civil
(candidata à presidência da república), Dilma Rousseff.
Nenhum espirro pode-se dar perto dela, é preciso blindá-la; nenhum
olhar enviesado, é preciso blindá-la. Já anda às
turras com a imprensa, já anda imóvel de tanta blindagem. Bastaria
aquela do seu passado. Mas, afinal, por que a ministra precisaria ficar assim
tão inescrutável se culpa alguma lhe foi imputada ainda? No caso
do apagão elétrico, apenas para exemplificar, não havemos
de por sobre as costas da ministra a culpa irresponsável das tempestades,
dos raios desvairados e das noites cegas, muito menos o povo "lulista"
haveria de se inquietar por causa de um apagãozinho de merda. Ora, dirão
eles amanhã, o clima ficou até romântico na madrugada, pudemos
finalmente usar as luzes das velas de sete dias para alumiar as ruas sindicais
e as casas das boas famílias petistas, porque às outras o breu
serviu. Além do mais, ando desconfiado, diz aquele da barbearia, o do
MST da padaria, do ministério da alquebraria, isso nada mais é
do que uma vingança invejosa da "herança maldita" de
certo presidente de antanho. Então ainda não se sabe por que a
ministra se protege tanto, ou ainda, por que o governo a esconde tanto dos problemas
do país, se ela, possivelmente, vai dirigi-lo daqui para frente. À
frente vamos nós, o povo, a parte dele que ainda não aderiu a
esse blecaute português sobre uma cegueira coletiva ensaiada.
O restante da turba vem lá atrás.
E talvez não se renda a nenhuma blindagem, mas tenha dentro da cabeça
um apagão cerebral bolorento e intemporal.
Sejamos as sombras.
A ministra vai dizer que não sabia da chuva, porque a chuva ainda está
por cair sobre a Terra de Oz. Primeiro virão alguns pingos nos
por a par da magia, depois uma tempestade benfazeja que fará brotar das
linhas de transmissão toda a luz do universo, ao invés de escurecê-lo.
Somente a minha cabeça está hoje sem luz. E digo que o "lulismo"
é igual ao bruxismo: ambos nos fazem ranger os dentes.