Senhor dos políticos, perdoai os nossos poucos pecados assim como os
temos cometido vez por outra quando não estás olhando, e não
nos livrai do Mensalão - dinheirinho extra que entra no caixa
dos nossos paletós para nos perpetuar no poder. Outro dia nós
pecamos, é verdade, pusemos na cueca umas notinhas de 100 reais, sobra
de umas campanhas para prefeitos, deputados, governadores et cetara,
mas não nos deixai cair em desgraça, afinal fazemos isso faz tempo
e enquanto não nos traiam - um e outro dissidente insatisfeito com a
fatia que lhe coube do bolo -, e nos flagrem com a mão por dentro das
calças.
Ó, pai, que o dia de amanhã nos dê tempo para criar uma
desculpa plausível e explicar o inexplicável ato; que nossos advogados
possam inventar invariavelmente uma defesa justa e convincente para nos livrar
da imprensa bisbilhoteira; que não nos arreliem com as caixas de panetone
que distribuiremos hipoteticamente ao povo pobre e sofredor que à época
do Natal nada tem sobre a mesa senão a esperança de recebê-las
um dia, quiçá na próxima eleição se não
nos cortarem a cabeça e os mandatos por um deslize parco desses que cometemos
em nome de nosso povo. Quanta injustiça nos faz esses arautos do exagero
por causa de imagens nem sempre nítidas que apenas sugerem uma ideia
e não um fato, ainda mais quando sabemos que nos dias atuais as montagens
televisivas são bastantes comuns e corriqueiras. Desse modo, entenda,
ó senhor, que nem sempre o que vemos condiz exatamente com a realidade.
Que diremos a nossos familiares? Se uma lágrima de arruda nos escapa
pelo canto borrado dos olhos, logo um especialista desses engraçadinhos
num trocadilho infame vai dizer que é de jacaré, quando em verdade
é do DEM de Brasília, como também já o foi de Minas,
de São Paulo e até do Planalto. Portanto, pai-nosso que não
estás no céu, mas no meio de nós, não nos olhai
com a indiferença celestial, apenas nos conceda o perdão hipotético
para os nossos atos. Se assim o fizeres, toda a gente também o fará,
e nós faremos o possível para não cair novamente em tentação.
Mas livrai-nos do mal. Amém!