Talvez o eleitor já tenha percebido quão terno andam as relações
entre pais e filhos nesta eleição. Parecem duplas sertanejas,
as mais harmônicas existentes, não destoam uma nota do combinado:
se fulano é filho de sicrano, decerto que merece seu voto, um tem a história
do outro, oxente, por isso vão resolver todos os seus problemas, abestalhado
eleitor. Por que entraram na política? Ora, porque é filho de
fulano e fulano é o pai de sicrano, isso basta. Quanto a projetos ou
propostas, nenhuma. São todos do mesmo saco e do mesmo time, jogam por
música, embora não pertençam a quaisquer seleções,
apenas receberam o chamado do coração, muito mais do que dos próprios
pais, a servirem à pátria. Pátria minha, pátria
sua, pátria de todos os filhos da puta deste país democrático,
aristocrático e performático. Se pai político eles não
tiverem, este ano não aceita-se padrinhos, tão somente pais, de
preferência que tenham nas mãos uns votinhos já agendados
ou andem agarrados às tetas políticas estaduais e federais. Estão
pregados nos cartazes, todos riem, mesmo aqueles que jamais imprimiram um sorriso
à identidade, no problem, façam-se sorrir ao foto shop,
que as dentaduras ficam iguais aos dentes de leite dos meninos emancipados agora
mesmo para concorrerem a uma cadeira legislativa. Ah, e os papais vão
ficar tão orgulhosos! Se um pleiteia a câmara federal, o outro
pleiteia apenas a câmara estadual, contanto que não se apartem
pais e filhos, posto que ambos tenham a mesma história, qual seja: engabelar
o povo.
E eis aqui o que eles nos dirá: "Não venda seu voto."