Embora o presidente Lula não tenha consciência exata, ou finja
não a ter, do seu papel como representante do Estado, seria bom que soubesse
que a impressa, há mais de duzentos anos, é livre para fazer suas
reflexões a respeito da sociedade, para denunciá-la e por que
não para vigiá-la, não é de jeito nenhum um partido
político, por isso mesmo não pode ser derrotada nas urnas, como
deseja pretensiosamente este mandatário. O presidente, sim, seria derrotado
se tivéssemos um povo com maior discernimento e capacidade de entendimento
sobre os problemas a serem enfrentados pelo país afora, ou, simplesmente,
pela salutar disputa, ato saudável a qualquer democracia, e por cima
disso, soubesse que um governo não pode achatar a oposição
de modo a não admitir as críticas, tampouco exterminar partidos
e abafar a voz daqueles que discordam, sempre em busca de uma popularidade total,
de um regime de governo que deste modo beirará em breve o totalitarismo.
Logo ele tão afeito às criticas ferrenhas quando andava a desfilar
pela oposição, a tudo e a todos, sem nenhum critério que
não fosse o da retórica veemente e da falácia gananciosa
de seus pares vermelhos. Não é mais possível nem
aceitável que a cada eleição ou disputa política,
fiquemos todos, pelo menos aqueles que consigam atinar, a mercê dos achaques
deste presidente que tão somente pensa na faixa presidencial, quiçá
no poder vitalício como querem seus colegas venezuelano, cubano, norte-coreano,
iraniano, e por ai além da simpatia. Desse modo, concluo dizendo que
a imprensa faz-se necessária, irrevogavelmente, ainda que saibamos: também
ela, a imprensa, comete erros dos mais graves, mas não tão grave
quanto o deste presidente que pretende cerceá-la.
O voto é mesmo o mais belo armamento de que dispomos, mas para usá-lo
eficazmente, precisamos saber manuseá-lo, não como moeda de barganha
- um tijolo e duas telhas -, mas como instrumento de avaliação
inequívoca, de modo que ponhamos dentro da urna não apenas a opção
simplória de um candidato loquaz, mas a opção consciente
e plena de que naquele candidato estamos depositando as expectativas e a esperança
de todo um país e, consequentemente, nosso futuro também, sob
pena de passarmos à história como meros coadjuvantes de um Brasil
eternamente promissor.
Ah, se Gutemberg tivesse inventado também a Censura!