A Garganta da Serpente
Veneno Crônico crônicas
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Quem paga a conta?

(Ademir Bicalho)

Outro dia, estava conversando com uns amigos no trabalho, no horário de almoço fique bem claro (...rs...), sobre as facetas da personalidade feminina e todas as modificações insurgentes do movimento feminista.

Até meados do século XIX vivíamos numa sociedade de heterossexualidade patriarcal. Os homens possuíam autoridade absoluta, inquestionável, e as mulheres não possuíam liberdade. Em conseqüência de sua superioridade, eles deveriam proteger e zelar pelo tal "sexo frágil", e, ao menos no começo das relações, as mulheres usufruíam do exagerado subjetivismo romântico, a era dos cuidados e cortejos, quase endeusadas por projetos de Dom Juan. Beijo na boca?! Só depois do noivado, e isso para os mais salientes.

Após as três ondas feministas (sufrágio feminino, movimentos do século XIX e início do XX; movimentos de liberação feminina, início da década de 1960; e, reação às falhas da segunda onda, início da década de 1990), as mulheres exigiram igualdade de direitos, "uma vivência humana liberta de padrões opressores baseados em normas de gênero". Instalou-se o caos masculino. Hoje, em Salvador, por exemplo, há homem usando sanitário feminino. Ou seria mulher usando sanitário masculino?!

Pouco importa! O fato é que vivemos em tempos difíceis. E pior! Sem sinais de melhora, ao contrário, hoje, um simples jantar tornou-se uma verdadeira missão impossível. Uma das grandes questões é: afinal, devo pagar a conta ou dividir o valor?

Neste convívio de dois "sistemas" intergêneros qualquer das atitudes, se tomada com a mulher errada, pode gerar o fim de uma relação que mal havia começado. Se pagarmos tudo podemos ser considerados educados ou machistas, se propomos a divisão podemos ser considerados modernos ou avarentos!

Infelizmente, meu amigo, o (multi)universo feminino está muito além de nossa compreensão, mas, nesta pequena questão, posso oferecer-lhe um tantinho de luz! Como visto, tudo dependerá do sistema em que essa mulher vive. Como descobrir? Muito fácil! Faça o teste do VÁ TROCAR DE ROUPA!!!

Não entendeu, vou explicar. Considere a cena: você conhece uma mulher interessante, ou cria coragem para falar com aquela "amiga", e a convida para sair. No horário marcado lá está você sentado no sofá da casa dela, esperando aqueles "só mais 15 minutos", que, no seu relógio já corresponderam a 2:30 horas (não esqueça de levar algo para se distrair). Eis que ela aparece, linda, perfumada, vestindo um modelito especialmente escolhido para a ocasião. Não é nem muito discreto nem muito chamativo, nem muito santa nem muito puta. Ou seja, perfeito! Neste momento, você a olha de cima para baixo, e de baixo para cima, e, em um tom moderado, pausado e firme, diz: VÁ TROCAR DE ROUPA!!! Assim mesmo, sem explicação, sem justificativa.

Se ela estiver no primeiro sistema, convalidará sua autoridade e, mesmo se achando linda, irá se trocar. Neste caso, faça tudo como manda o figurino, se prepare para abrir as portas, puxar as cadeiras, vinho, luz de velas e violino, e, de tempos em tempos, dizer o quanto ela é "divina e graciosa, estátua majestosa", e sempre pagar a conta. Aliás, ela sequer deve ver a conta.

Agora, se ela bater pé firme e disser que não vai se trocar, significa que ela guia-se pelo segundo sistema. Neste caso, esqueça as portas e cadeiras, afinal, ela tem duas mãos, igual a você! Diga como ela está "toda boa", comparem seus salários e conversem como homens e mulheres são iguais no futebol, ballet, construção civil e serviços domésticos. Na hora da conta, tranquilamente, mostre a ela aquela divisão que o próprio estabelecimento já faz e, sem cerimônia, pergunte "vai pagar em dinheiro ou cartão, amor?" ("amor" é importante porque já dá certa intimidade). Se você quiser ser ainda mais igualitário, inclua na divisão, também, o valor do estacionamento e do manobrista. Mas, em nome dos velhos tempos, arque sozinho com a gasolina.

Atenção! Se ela se considerar em um "terceiro sistema"?! Aquela mulher que quer a divisão dos direitos mas não a divisão dos "deveres", no melhor estilo "quer ir pro céu mas não quer morrer". FUJA!!! Caia fora mesmo! Além de sexistas ela é esquizofrênica. Se você levar essa relação adiante, corre o sério risco dela, um dia, querer ter um filho mas exigir que você seja a gestante!

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