O recente maremoto ocorrido na costa da Indonésia no oceano Índico na
ásia, faz-me pensar em números impressionantes
O maior terremoto dos últimos 40 anos , 9.0 na escala Richeter cujo máximo
é 10.0.
Ondas de mais de 4 metros , atingindo doze de países, em questão
de poucas horas.
Até o momento 125.000 vítimas. Sendo 79940 na Indonésia, 27268 no Sri Lanka, 13268 na Índia , 4500 na Tailândia. Cerca
de 6000 turistas desaparecidos, a maioria de europeus.1000 somente suecos. Cerca
de cinco milhões de pessoas sem condições adequadas de
sobrevivência. Ou seja sem água potável, alimentos, remédios,
e moradias. O atendimento médico em algumas regiões isoladas por
quedas de pontes, destruição de estradas. É praticamente
nenhum, não há helicópteros. Faltam recursos de todos os
tipos.
Quando começaram a ser divulgados o número de mortos e desaparecidos,
logo usei o fator 10 (que normalmente uso quando os representantes oficiais
divulgam dados iniciais, ou seja multiplique por dez tudo o que dizem).
Ainda mais numa região superpovoada e repleta de ilhas (um pedaço
de terra cercado por água por todos os lados), portanto mais vulneráveis
ao tsunami, um fenô;meno sem precedentes na história da região.
Esta visão do apocalipse, fez meu respeito sobre a lenda do dilúvio
bíblico crescer bastante. Pois 56,2 % da população mundial
vive em regiões costeiras ou terras baixas, até 200 metros de
altitude. Creio que a palavra tsunami não deva existir no vocabulário
da Holanda e países baixos.
Normalmente os números de uma catástrofe desta magnitude, nos
primeiros dias tendem a ser superestimados e espero que logo baixem consideravelmente.
Pois são mais que impressionantes. Pessoas com vinte a trinta parentes
mortos. Famílias inteiras dizimadas literalmente.
O ano de 2004 poderia terminar sem esta tragédia, mais este não
foi o desejo dos deuses. A vulnerabilidade do ser humano e fragilidade da vida,
foi novamente nos revelada. Mas temos de juntar esforços e superar esta
tragédia, esta é a nossa condição nesta terra.
Mas voltando aos números, calcular a probabilidade de um fenô;meno
deste tipo ocorrer novamente na região é plenamente possível.Calcular
o número de vítimas e desabrigados também.
Porém indiscutivelmente penoso é saber se as autoridades destes
países tomaram medidas preventivas para prevenção e anúncio
(alertas) destes eventos com antecedência. A previsão de abalos
sísmicos ainda engatinha no mundo todo.
"A Terra é um sistema complexo e o processo que leva as falhas geológicas
é caótico, não linear . Nós sabemos de forma geral
onde elas estão, mas é difícil dizer quando um abalo ocorrerá"
diz o sismólogo turco-americano Nafi Toksöz , professor do MIT (Instituto
de Tecnologia de Massachusetts) nos EUA, numa recente entrevista ao jornal Folha
de São Paulo.
A falta de uma coordenação mundial de prevenção
de catástrofes precisa ser urgentemente discutida nas Nações
Unidas. Isto para que os recursos e ajuda internacional cheguem com melhor presteza
aos necessitados, coisa que no momento ocorre com morosidade e uma certa balbúrdia.
Apesar da boa vontade de todos os organismos internacionais envolvidos.
Mesmo porque a coordenação da assistência a sobreviventes
é algo que tem de ser feito perfeitamente, senão o número
de vítimas tende a aumentar de forma exponencial.
Milhões serão gastos de forma errada e se perderão pelo
caminho. Mas esta é a missão dos técnicos e burocratas
Neste instante a ajuda internacional arrecadou 500 milhões de dólares,
com os Estados Unidos contribuindo com a substancial promessa inicial de US$
35 milhões.
Com muita propriedade dois fatos me chamaram a atenção.
O primeiro: o casal de brasileiros que se salvou pois estava mergulhando no
momento do tsunami. Quantos brasileiros estavam na região, quantos estavam
mergulhando, quantos sobreviveram. Imprevisível não é uma
boa resposta. É só jogar a maior quantidade de informação
possível num computador e realizar a operação de cálculo.
Um fato que pesa é que no mar a chance de sobrevivência é
maior. Portanto este é um número difícil mas calculável
(muitos matemáticos agora preferem brincar com o jogo de dados).
O segundo fato é um bebê de vinte e poucos dias ser encontrado
boiando sobre um simples colchão. A probabilidade agora gera um número
absolutamente fictício não real. Os números agora então
na beira da barreira do imponderável
A possibilidade de um recém-nascido sobreviver sozinho a um evento desta
magnitude, eu arriscaria ser zero. Mas o fato desmente este resultado. Portanto
o cálculo pode ser feito. Poeticamente falando eu diria que o anjo da
guarda desta criança trabalhou apropriadamente.
A previsão destes eventos em breve será realidade .Creio que temos
uma ferramenta apropriada, uma fórmula para isto.Um modelo que use a
teoria do caos, desenvolvido pelo físico brasileiro Jorge de Sá
Martins professor da Universidade Fluminense. Basta apenas que coletemos e estudemos
o maior número de dados possível.
(31.12.04)