A Garganta da Serpente
Veneno Crônico crônicas
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A, B e C

(Carlos Henrique Böhm)

Jéssica Tatiane queria aprender a dirigir. Pai faz o quê? Ensina. Depois de muitos "ah, pai, me ensina..." ela o convence. Quando estavam saindo para a primeira aula, ele já explicava algumas coisas e a mãe vai interromper:

- Pai, tem que ir no mercado.

- Tudo bem, vamos, depois vou levar a Jé para dirigir.

- Mãe, a conversa é entre A e B, C está fora. Mercado outra hora.

- Nem falar! Não tem sapólio, não tem rinço, não tem nada, como vou lavar a calçada
e o banheiro? E também quase não tem comida, vai querer chucrute com coca hoje de noite, vai? Só no sonho, então.

- Não tem importância, eu e o pai vamos dirigir e depois jantar no rodízio de pizza.

- Tu sabes quanto custa ir ao rodígio de pítissa?

- Não é "rodígio", mãe. E nem "pítiça"!

- Mas é caro igual, está na hora da senhorita começar a trabalhar para parar de só diminuir nessa casa e começar a somar um pouco.

- Já vais começar... Eu já prometi que ia gastar menos.

- Mas pelo visto hoje não.

- Quem vai pagar a conta é o pai.

A mãe fica vermelha e bufa como um vulcão.

- Mas tu sempre gatas o dinheiro dele!

O pai está dentro do carro buzinando.

- Tchau, mãe!

Calçada suja e banheiro fedido, sem chucrute com coca.

Outro dia, os pais estavam conversando sobre a possibilidade de a filha começar a trabalhar, quando ela entra na sala para pedir para sair para dirigir e escuta a conversa, o que faz a jovem sair de fininho. A mãe logo chama a filha:

- Vem cá, Jé, a conversa é entre A e B, e C está dentro.

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