| Douglas Tedesco |
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Homem-aranha sem Mary Jane
(Douglas Tedesco)
Peter Parker foi picado pela aranha geneticamente modificada no dia 9 de outubro...
A quem isso interessa?
Maria, a louca, só foi louca apenas nos últimos 21 anos de sua
vida... Sentiu alguma diferença?
Na China, os pauzinhos para refeição chamam-se 'kuai-tzu',
já no Japão os mesmos pauzinhos recebem o nome de 'hashi'.
Tempos diferentes e informações vagas. Intermediário conhecimento,
que provavelmente não mudará sua vida... mas fazem a diferença
á muitas pessoas, adiversos pontos da humanidade. Tal como glórias
pessoais de qualquer anônimo não irá mover o mundo.
Um momento! Uma correção: não irá mover o globo
de forma geral, porque, com certeza, irá abalar as estruturas da personalidade
em questão. É uma incógnita pessoal.
De tantas certezas, a mais certa é de que de repente tudo pode mudar,
"2+2" pode resultar em 5 ou 6 e julgarem isso não ser loucura...
Mesmo porque quem é o mais correto, puro, todo certo pra julgar?
Outra certeza é que toda balada você deve curtir como um louco,
como se estivesse a duas décadas dois dias e cinco horas sem pisar numa
festa! No entanto isso não significa beber até cair, fazer escândalos
ou vexames. E falando em festa, é o pior lugar para se tratar de negócios,
porém é um dos melhores para combinar uma reunião para
tratar de negócios... E tratando ainda de datas esperadas (porque uma
boa festa se espera muito antes da data exata), não há como a
véspera delas, a hora exata do acontecer passa como um flash, tão
rápido que é quase lembrança. Já a véspera
é a programação de cada passo, onde o itinerário
é perfeito, e as coisas são, imaginariamente, como você
planeja.
Agora um pouco de verdades: Mão não é tudo igual. O macarrão
não foi inventado na Itália. O Gargamel dos Smurffs não
era malvado. Nem sempre liquidações valem a pena. Primos não
são parentes. Judy Garland já era bem maior de 18 quando fez o
Mágico de Oz. Sapatos de salto-alto prejudicam a coluna e a estrutura
do pé. Cameron Diaz tem várias espinhas no rosto. Os alemães
não são todos frios! A guerra dos 100 anos durou 116 anos. Fazer
compras no supermercado é mais eficaz para emagrecer do que uma prova
de arco e flecha. A maioria das garotas que brincam de barbie passam no mínimo
5 minutos colocando uma camiseta na boneca. A Maga Patalógica é
apaixonada pelo Tio Patinhas. Não existe tratamento anti-celulite, nem
anti-rugas. Romeu era um galinha e Julieta uma garota rebelde louca para fugir
de casa.
(...) uma pausa.
Um pausa, porque afinal uma hora tudo descansa... No banho, lendo os rótulos
do shampoo você descansa. Na privada contando azulejos você descansa.
No sofá tirando a cutícula com os dentes você descansa.
Brincando com seu cachorro, lhe falando do mesmo jeito que uma criança
de 4 anos, você descansa. Na praia, em sua cadeira a beira-mar, encolhendo
a barriga quando uma gostosa passa, você descansa. Assistindo um filme
antigo, esperando o remédio pra 'frieira' fazer efeito, você descansa.
(...)
Descansados é hora do retorno, porque tudo que não tem pausas
chega ao seu importuno momento em que a máscara cai, sem pausa ela é
obrigada a desabar...
Já que: Ninguém é durante 24 horas um sedutor furtivo de
boas saídas, como a personagem de Sharon Stone em Instinto Selvagem.
Ninguém tem a fofura do Papai-Noel da propaganda da Coca-Cola. Ninguém
tem o carisma de Ivete Sangalo, ou dos Ursinhos Carinhosos. Ninguém consegue
ficar tanto tempo tão maquiada e tão louca quanto Cindy Lauper.
Ninguém consegue ter mais frescuras do que Cleópatra. Ninguém
faz biquinho melhor do que Rita Lee. Ninguém consegue ser tão
feio quanto o garoto propaganda da Bom Brill. Ninguém consegue ser tão
frio quanto um segurança em uma cidade estranha. Ninguém conseguiu
inventar tantas neologias quanto J.K. Rowling para as obras Harry Potter.
(...)
Agora realmente retornando, realmente retornando mesmo?
Quanto vale a vida?
Excluam a questão do preço de partos em maternidades e de prostitutas
em esquinas e casas de luxo.
Quanto vale a vida?
Quanto vale a sua felicidade?
Algumas coisas tem preços, outras não. Algumas coisas são
caras, outras não. Esta descarada divisão é que nos mata,
porque a igualdade é tão distante?
Até quando teremos de aturar tudo isso?
Até quando as coisas serão privadas? Até quando teremos
de resistir às tentações do Burger King e McDonalds? Até
quando Bety Boop vai ser encarada como pornográfica? Até quando
teremos de contar o tempo enquanto fazemos carinho em nossos filhos? Até
quando teremos de suportar a falta de um beijo de boa-noite? Até quando
vamos ouvir que é "falha no sistema"? Até quando o Coiote
vai perseguir o Papa-léguas? Até quando os EUA vai pensar que
é a mãe do mundo? Até quando a tinta de jornais impressos
vai sujar os dedos? Até quando os sabonetes irão escorregar pelo
banheiro? Até quando os sorvetes e chocolates serão altamente
calóricos? Até quando os celulares ficarão fora de área?
Até quando regaremos as flores de plástico? Até quando
tudo será "pelo bem do povo e felicidade geral da nação"?
Até quando a Globeleza será pintada? Até quando vamos nos
perguntar quem matou Odette Roittmann?
Quanto vale a vida?
Será que tudo se resume a reproduzir para os amigos as famosas propagandas
da TV: "Hello, a gente é bicho baby!"? Imitar em público
Walter Mercado e Silvio Santos? Corrigir e rir do dicionário dos moto-boys?
Tentar a paz com a sogra, aturar futebol aos domingos, e xingar políticos?
Preparar pratos especiais para ocasiões especiais? Escolher a melhor
tintura de cabelo e o melhor salão de beleza? Acompanhar os lançamentos
do cinema, pra aprender a ser crítico? Ser um dos primeiros a comprar
a nova edição da Playboy e o novo CD das paradas? Ser recebido
pelo seu cachorro abanando o rabo? Conseguir criar alguma coisa que você
realmente sabe? Receber um, dois,dezessete elogios? Ter seu prato favorito no
almoço? Ganhar uma toalha de banho com seu nome bordado? Saber a coreografia
e a letra da música do momento? "Piripipiripipirigueti!"? Ter
um novo contato no msn, "amigo" no orkut, ou boa imagem no flog? Ser
visto com a pessoa que é o sonho de qualquer um? Passear naquele carrão
desejado por todos? Achar uma nota alta perdida no chão? Finalmente conseguir
uma ligação para 'aquele' programa de TV ser invejado por qualquer
coisa?
(...)
Sim, pode ser isso! Mesmo tudo isso sendo futilidade!
A felicidade num todo complexo, de mala e cuia, o pote de ouro no fim do arco-íris
não existe! Ela é confundida com o simples bem-estar. A felicidade
é mais e menos. Mais que bem-estar e menos que a eternidade. Esta coisa
chamada felicidade é feita de pequenos momentos, uma iguaria ali, outra
aqui. Tudo se resume não a ter felicidade, mas a transmiti-la! Por isso
para ser feliz só dependemos de uma coisa: do outro!
Nos julgamos independentes, fortes e "inmassacráveis", mas
sem o outro somos nada. Para tudo é necessário o aval do próximo,
o mecanismo acionado de mais alguém.
Por isso inteligência é confundida com loucura, ousadia com segurança,
simpatia com beleza.
Sem os outros não funcionamos. Somos como:
Homem-aranha sem Mary Jane, Clark Kent sem Lois Lane, Tarzan sem Jane, Xuxa
sem baixinhos, frango sem catupiry, Cérebro sem Pink, princesa encantada
sem fada madrinha, Branca de Neve sem anão, Dick Vigarista sem Mutley,
Batman sem Alfred, Gomes sem Mortícia Adams, Elizabeth Taylor sem vários
casamentos, Napoleão Bonaparte sem mão na barriga, Sinhozinho
Malta sem relógio largo, Marilyn Monroe sem vestido branco esvoaçante,
Perpétua sem guarda-chuva, 007 sem garotas bonitas, Vilma sem Fred Flintstone,
Indiana Jones, sem cavernas ou ratos, modelos sem cara de mal, Glória
Menezes sem Tarcísio Meira, Luluzinha sem Bolinha, domingo sem 'Fantástico",
Homer Simpson sem cerveja, Jornal Nacional sem Willian e Fátima, Brasil
sem samba, Stephen King sem grito, chuva sem barulho de plic-plic, cantor de
axé usando manga comprida, ou sem sorrir, Big Brother com gente feia.
É assim que somos sem os outros, somos nada. E ainda que tudo a pouco
citado seja mesmo futilidade, é o que nos traz aos poucos felicidade
e felicidade é essencial.
Sua felicidade é o outro quem coloca valores. Sua vida é um carnê
mensal, uma prestação sem prazos de quitação ou
limite de juros. Futilidade é essencial, "essencialidade" se
compra, no comércio e preço da sua imaginação.
(08/02/2008, às 00:50h)
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