- José, você viu que fim teve a Anita, a filha do Raimundo, seu
amigo? Não! Há... nem te conto! Sabe aquela amiga dela, a loirinha?
- A Lúcia?
- Não, a outra, que vivia usando uma calça apertadíssima
rosa.
- Hãm... acho que se chamava Elisa
- Sim, essa mesma. Pois é, você se lembra como as duas eram amigas
e viviam juntas pelas festas da cidade? E você se lembra como as duas
pararam de sair juntas e rolo por aí uma fofoca que elas tinham brigado
por um rapaz. É, acho que já faz umas quatro semanas.
- Sim, eu me recordo de algo assim. Mas o quê que tem tudo isso?
- Você nem imagina José! E olha que escândalo, não
se fala em outra coisa na vizinhança, mas como você vive trabalhando
e dormindo não soube de nada ainda.
- Mas isso não é por falta de esforço seu- sorriu de leve
e mostrou a ponta de seus dentes amarelados.
- Pois, escuta. Foi ontem à noite. A mãe de Anita, a Roberta,
e como ela está mal com tudo isso, foi procurar a Anita na rua. Ela tinha
ido buscar pão para o café de hoje, parece que a Roberta tinha
esquecido de avisar que precisava de café também. Mas sabe o que
encontrou...?
- Não, respondeu dando um gole sem vontade no seu café.
- Encontrou-a aos beijos e amassos... com..., e nesse momento abaixou a voz
de tal forma que ela própria quase não ouviu, com a E-LI-SA.
- Você está louca mulher! Impossível, que história
é essa?
- É o que todo mundo ta dizendo, a própria vizinha da tipinha
disse que viu tudo, TU-DO!
- Eu não acredito. A filha do Raimundo, sapatão!
- Pois, pode acreditar. É a pura verdade! E o pior foi depois. A Roberta,
vendo tudo aquilo, voltou aos prantos para a casa, contou para o marido. Quando
a Anita chegou em casa só se ouviu os gritos dela e do Raimundo. Foi
xingamento que não acabava mais. Coitada, apanhou tanto, tanto, mais
tanto que foi parar no Hospital. A vizinha chamou a polícia, fizeram
o diabo. Agora ele ainda deve estar lá na delegacia explicando tudo.
- Pobre Raimundo! Um homem bom, o conheço já faz muitos anos.
Não merecia esse desgosto.
- Pobre do Raimundo! E a filha, a Anita, não tem pena? Perguntou balançando
o corpo todo com sua risada contínua.
- Nem um pingo! E tem mais, se fosse a minha filha... engoliu o resto de café
da xícara, se fosse a minha ilha eu matava. Dava-lhe um tiro no peito
e depois acabava comigo mesmo, é impossível viver com esse...
essa desgraça.
- Credo, José! Você é muito bruto, e velho também,
hoje isso é quase normal.
- Pobre do Raimundo, não merecia.