A Garganta da Serpente
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Faça uma Festinha na sua Sala

(Hamilton Ayres)

Se você mora numa cidade monótona, sem lugares suficientemente despojados para você sair e esquecer aquela semana horrível no trabalho, talvez a melhor saída seja fazer uma festinha particular na sua sala. Não chame ninguém! Faça tudo sozinho, ou melhor, se você já tem uma namorada, esposa, quem sabe até mesmo um bom amigo ou uma boa amiga não deixe de compartilhar uma farrinha despretensiosa. Mas se tiver muita gente, estraga.

Primeiro passo: saindo do trabalho, ainda na sexta feira, passe no supermercado e compre aquele vinho barato e bem adocicado (não se preocupe, a dor de cabeça será no sábado e você terá o final de semana inteiro para se recuperar), qualquer tipo de queijo que possa ser cortado em cubinhos e... só!

Segundo passo: chegando em casa certifique-se de que tem um bom estoque de CDs e DVDs interessantes. Dê preferência aos musicais, pois a diversão é garantida (U2, Madonna, Revival dos anos 80 ou qualquer coisa que te tire do sofá de vez em quando). Nada melhor do que dançar no meio da sala, parecer ridículo e não correr o risco de ser recriminado.

Sozinho ou com uma boa amizade, a diversão é garantida! Já experimentei algumas vezes com minha esposa naquelas ocasiões em que você quer mais é esquecer do mundo lá fora. Nosso mundinho, nesses momentos, basta.

Lembro de uma vez que participei de uma festinha assim com uma amiga da Universidade. Ingredientes: azeitona, vinho e The Doors... que viagem...

Para que ninguém diga que sou radical, devo admitir que algumas das melhores noitadas etílicas ultrapassaram a superpopulação de três pessoas. Era assim no "clube do vinho" (mais uma vez a bebida dionisíaca): quatro amigos reunidos numa pequena sala, assistindo a filmes como "Paris, Texas", lendo Fernando Pessoa, Guimarães Rosa e Raduan Nassar (aquele primeiro capítulo de "Um copo de cólera" depois que todo mundo já está alto dá o que falar). Aprendi até a fazer Bruschetta nessas ocasiões.

Tinha ainda o apartamento do meu amigo Ananias, um grande colega do curso de Psicologia e bon vivant irrecuperável. As melhores noites sempre contavam com a presença do grande Ovídio e do "pequeno menino" Julison (ele vai entender a saudação). Gostávamos de jogar Master enquanto bebíamos cerveja e comíamos esfihas. Como éramos requintados...

Não fique na ânsia de sair de casa todos os finais de semana. Faça exatamente aquilo que você gosta, junto daqueles que realmente te entendem, converse besteira, dispa-se da boa educação. Faça uma boa festinha na sala de sua casa e deixe o mundo explodir.

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