Crescemos ouvindo de nossos pais a recomendação, principalmente
os meninos:
- Não faça xixi no ralo! Deixa o banheiro fedido!
Isso não quer dizer que as meninas não fazem o mesmo. Elas são
poupadas de alguns dissabores porque não possuem uma mangueira entre
as pernas. Os banheiros delas não são tão limpos, como
diz a tradição.
E agora vem uma ONG nos dizer que mijar debaixo do chuveiro é politicamente
correto. Economiza água, evita descargas. A falta de água potável
será uma realidade, inclusive, está previsto que nossos descendentes
(bisnetos) chorarão para matar a sede com as lágrimas, ou beberão
a própria urina. Pensando bem, SOS Mata Atlântica não está
exagerando.
Já disseram que apenas 25% das pessoas não fazem xixi enquanto
tomam banho, misturando urina e água do chuveiro. São corretíssimos,
tementes a Deus, nem soltam pum no banheiro de tão educadas.
Aquela água correndo no chuveiro ou na torneira provoca aquela vontade
doida de mijar, mesmo que já tenhamos urinado no vaso sanitário.
E a gente, naquela solidão gostosa de banheiro, chuáááá.
É a água do corpo sendo solidária à água
do mundo. Nunca imaginei que a imprensa nalgum dia fosse se ocupar de assunto
tão trivial.
Outro dia, vi a notícia sobre a urinoterapia, usar a urina como instrumento
de cura. Ao contrário do que muita gente pensa, a urina não é
veneno, é autovacina produzida pelo organismo. Assim dizem seus defensores.
Ela pode ser usada para prevenir ou curar doenças, além de aumentar
a beleza e purificar o organismo, segundo Hiroshi Tikumagawa, especialista em
urinoterapia e autor do livro "Cura-te a ti mesmo", Essa notícia
na televisão também provocou escândalo entre nós.
Na minha adolescência, com aquela cara espinhenta, parecendo abacaxi,
se me mandassem tomar xixi para acabar com a acne, com certeza, tentaria. Agora
existem remédios eficazes para espinhas, meio caro, mas existem. Naquela
época, elas eram o desespero da juventude de cara oleosa.
Mas gora, já tiozão, entre beber xixi e cerveja, este croniqueiro
prefere a segunda. Apesar de que a cerveja provoca uma mijadeira danada.
Então, caro leitor? Como mudar hábitos que foram criados a poder
de gritos e, às vezes, castigos físicos? Na verdade, isso é
um problema apenas de 25%.
Efraim Rodrigues, Ph.D. em meio ambiente, disse que tal ONG, tão prestigiada,
que recebe patrocínio de um grande banco brasileiro, está mijando
no próprio pé, fazendo tal recomendação.
Como tenho leitores que não mijam no banheiro, são politicamente
corretos, tenho a dizer que muitos de nossos "bons hábitos"
serão reprovados no futuro: tomar vários banhos por dia, andar
calçado, cortar a barba, varrer as folhas das árvores, ladrilhar
(ou asfaltar) tudo. E outros mil.
Não precisaremos voltar à barbárie para ter uma boa condição
de vida, mas redescobrir que os bichos são nossos irmãos, assim
como os astros, será o caminho para reconquistar a harmonia.
Francisco de Assis disse isso há muito tempo.
(22.06.09)