Como demorou para o Brasil fazer o seu primeiro jogo na Copa do Mundo, pareceu
que o certame andava e a pátria não participava. Comprei minha
camisa e ainda não tivera o gosto de vesti-la. Ficar apenas vendo os
outros jogarem não tem lá muita graça.
Os primeiros jogos da Copa do Mundo se pareciam muito com os jogos do Palmeiras
ultimamente, quando era goleada, o resultado não passava de um a zero.
Parece que a seleção da África do Sul roubou nossa camisa.
Negro assoprando vuvuzela, camisa verde-amarelo, os sul-africanos estão
mais parecidos com brasileiros, corintianos, sim senhor.
Na copa de 1970, quando o Brasil vivia uma ditadura militar juntamente com um
milagre econômico, não pude saborear essa sincronia de campeão
do mundo e economia em expansão, porque eu, com minha vuvuzela, gritava
por liberdade. Aquele selo nos carros, "Ame-o ou deixe-o", me incomodava.
Quando via um cidadão vestindo verde-amarelo, eu resmungava: alienado!
Hoje, com muita liberdade, o Tio Lula repete a façanha: economia indo
bem, patriotismo exacerbado. O slogan agora é "Tenho orgulho de
ser brasileiro, não desisto nunca". E o Consa experimentando um
naco de poder, como secretário da Cultura de Araçatuba, participando
do sistema, como diria nas décadas de 60-70. Quando vejo um cidadão
vestindo verde-amarelo, tenho vontade de chamá-lo de companheiro.
A população cresceu, duplicou, mas ideologicamente é a
mesma, porque o coração do cidadão pulsa no bolso. Ele
está a favor do governo que melhorou a sua vida. Para a massa, não
há esquerda nem direita, há interesses e vantagens.
Apesar desse meu ceticismo crítico, a política brasileira avançou,
quando se têm na disputa três candidatos, como: Dilma, Serra, Marina.
Além de haver duas mulheres na disputa, temos duas pessoas que cerraram
fileiras contra a ditadura militar (Dilma e Serra) e Marina, que nasceu da luta
da organização popular. Os filhos e netos daquele pessoal que
bateu continência para a falta de liberdade estão cada vez mais
longe do poder.
Assim, o jogo ficou entre comadres e compadre. Embora eu afirme que algumas
pessoas foram presas pelos militares por engano, porque no poder descobrimos
que eles foram injustamente pichados de subversivos.
Brasil, Brasil! Não quero saber se ele vai ser desenvolvido nalgum dia
(como era o sonho de minha geração). Por aqui a globalização
começou muito antes. Quero ver a fraternidade, a inclusão, a alegria,
mesmo que seja banguela. Os portugueses não foram tão burros assim.
(14.6.10)