A campanha eleitoral durou, hein! Pensei que íamos chegar a Finados
sem passar por 31 de outubro. Tivemos até uma guerrinha. Longe daquela
do Oriente Médio. Ainda bem que entre mortos e feridos, a democracia
se salvou. Ver aquele brigueiro na televisão, receber aquelas bobagens
por e-mail não constrói muita coisa.
José Simão, cronista da Folha de São Paulo, traduziu bem
o clima desse período: parecia guerrinha de criança! Um lado jogava
pelota de papel no Rio de Janeiro , o outro respondia com bexigas cheias d'água
no Paraná. Aquela guerra de areia que a molecada faz na praia.
Se os professores da rede estadual de ensino, São Paulo, soubessem que
José Serra tinha tanto medo assim de bolas de papel, teriam o aumento
salarial desejado na última greve. Já pensou se para cada bolinha
de papel na cabeça, os professores tivessem que fazer tomografia? O médico
carioca recomendou a José Serra repouso de quatro anos.
Meu lado moralista me dá comichões:
- Veja só que nossas crianças e jovens estão aprendendo
com os adultos?
Na próxima eleição do grêmio estudantil, lá
na escola, haverá denúncias:
- O candidato a presidente da chapa tal come a Patricinha do 1.º colegial...
- A chapa tal está distribuindo salgadinhos no intervalo para quem votar
nela...
Como já estou vacinado com o discurso da ética, que é sempre
acionado por quem está na oposição, a exigência de
respeito passa ao largo de minhas barbas. Não dá para respeitar
quem se proclama que é imagem e semelhança de Deus.
Dizia o filósofo que na política se revela a tragédia humana
com toda a sua força, pois é dela que nascem as guerras. Campanha
eleitoral parece trote universitário que o eleitorado passa nos políticos.
Acrescento mais: candidatos, cabos eleitorais, militantes viram crianças,
pré-adolescentes, com aquele espírito de disputa à flor
da pele, parecendo seres tribais.
Fazem toda a bagunça do mundo, chegam ao rés do chão, perdem
a compostura. E a missão do vencedor será árdua. Depois
da contenda, uma ou outra voz se lembra de plano de governo, da plataforma de
ação parlamentar. Apesar de pinóquios, se transformam em
homens e mulheres sérias, todos são doutores, mesmo que não
tenham títulos, protegidos por seguranças, só falam em
entrevista coletiva. Aquela formalidade...
Se fosse diferente, tudo certinho, também seria uma chatice... Levar
as coisas a sério não vale a pena.
(24.10.10)