A Campanha da Fraternidade 2008 tem por tema "Fraternidade e Defesa da
Vida" e por lema "Escolhe, pois a vida" (Dt. 30, 19). O cartaz
da campanha mostra um velho com um menino no colo. O princípio e o fim
se encontram, se abraçam, se completam. O menino está no colo
do velho, seguro, protegido. O velho carrega o menino como quem carrega um bem
precioso. O menino é um bem precioso. É o princípio da
vida. É a vida. Tanta ternura nesse quadro. Tanta delicadeza. A fragilidade
da infância, a proteção dos braços fortes, experientes,
da velhice. A fragilidade do velho, criança outra vez, precisando de
proteção outra vez, de braços fortes que o sustentem.
É o retrato do Brasil, esse quadro. É lindo. O branco e o negro
se misturam. O branco vem do negro, é protegido pelo negro, é
uma continuação desse negro. Esse velho está feliz porque
tem esse menino fraquinho nos braços. Esse menino tem confiança
nesses braços fortes que o seguram. Esse menino, qualquer menino, antes
mesmo de sair do ventre da mãe, em toda a sua fragilidade diante da vida,
é a melhor resposta que essa mesma vida pode nos dar. Por que vivo? Por
que sofro? De onde vim? Por que a morte? Para onde vou? Não preciso de
nenhuma filosofia complicada para me responder: basta um menino. O nascimento
de um menino é um milagre. Deus existe porque esse menino existe. É
tanta beleza, tanta simbologia na presença de um menino, que nela se
concentra toda a razão da existência. Na presença do menino
se concentra Deus.
O povo judeu, depois de quatrocentos anos de escravidão no Egito, vagueou
mais quarenta anos no deserto até que tomasse consciência de Deus,
que lhe dá um ultimato: continuar cultuando os deuses do cativeiro e
perecer com eles, ou escolher a vida e sobreviver. "Escolhe, pois, a vida"
(Dt. 30, 19). A vida é Deus. Por isso não temos o direito de permanecermos
na cultura da morte, contra Deus, que é a vida. A cultura da morte é
o consumismo desenfreado, sem prioridade, escravizando-nos ao dinheiro, ao supérfluo,
ao luxo, ao prazer, à satisfação dos sentidos. É
esquecermo-nos de que somos, primeiro, espírito. A carne perece, o espírito
vai para Deus. Gozar a vida, sim, até o ponto em que não a desperdicemos.
E até o ponto em que não desperdicemos a vida do outro.
A cultura da morte são as drogas, a violência, a fome, os doentes
sem assistência médica. A cultura da morte é desprezar a
água, o ar que respiramos, a terra que é o nosso domicílio.
A cultura da morte é o aborto, como se, porque somos donos do nosso corpo,
tivéssemos o direito de assassinar um ser indefeso. A cultura da morte
é o sexo pelo sexo, sem a educação de nossa afetividade,
sem aprendermos que o nosso amor não vale nada se não se dirige
ao outro.
Se não tenho um amor que busca o outro, meu irmão, é como
se eu quisesse exterminá-lo. É como se eu escolhesse a morte,
e não a vida. Lembre-se do velho e do menino, símbolos da vida.
Se não trabalho pelo meu irmão, não estou escolhendo Deus,
que é a vida. Quem é seu patrão, Deus ou os deuses que
a sociedade lhe oferece? Você escolhe Deus ou a morte? Em nome do seu
Eu, você quer matar Deus?