Isaías é o mais famoso profeta de Israel. A sua obra é
tão marcante que eu digo, brincando, que ele viveu mais de 400 anos.
Na realidade Isaías viveu no séc. VIII AC. Mas o seu estilo era
tão impressionante que os seus discípulos continuaram o seu trabalho
até o séc. V. Assim, há um Isaías ele-mesmo, que
anunciava a ruína de Israel como castigo da imoralidade dos governantes.
E há um segundo e um terceiro Isaías, durante e após o
exílio de Babilônia, que consola o povo sofredor, mantém
a fé em Deus e anuncia o Messias.
O tema da Campanha da Fraternidade 2009 é "Fraternidade e Segurança
Pública", e o lema "A paz é fruto da justiça"
(Is 32, 17). Como conseguir essa "Segurança Pública"?
O que pensamos primeiro, quando vemos a expressão "Segurança
Pública"? Não pensamos que lugar de bandido é na cadeia,
que os presos devem trabalhar para viver, sem regalias?... Que é preciso
uma polícia eficiente, que prenda e arrebente?... Não são
idéias como essas que nos vêm à cabeça? Não
pensamos antes no nosso bem-estar pessoal, não somos absolutamente contra
essa escória social que não nos deixa dormir? Então, lembremo-nos
de Isaías. Precisamos urgentemente lembrar-nos de Isaías.
Isaías sabia que a paz é fruto da justiça. Sabia que a
insegurança do povo vem da imoralidade com a riqueza excessiva na mão
de poucos, pouquíssimos. Sabia que devemos ser fiéis a Deus e
não a Mamon. Não podemos servir a dois senhores, a Deus e ao poder.
A paz é fruto da justiça e do direito, diz Isaías. A miséria
é a ocasião que faz o ladrão. Nem todos os pobres são
bandidos, mas a sua condição sub-humana de vida muitas vezes não
lhes deixa alternativa. Devemos pensar primeiro em armar a polícia e
construir presídios fortificados - ou em dar condições
de vida ao povo, trabalho, moradia, dar de comer a quem tem fome como se fosse
o próprio Cristo?
Os juízes têm a justiça nas mãos e, portanto, deveriam
ter uma vida sem a mínima suspeita de injustiça. Os homens públicos
deveriam ostentar uma vida totalmente limpa ao povo. Os legisladores deveriam
não só ter uma vida perfeita, mas parecerem perfeitos. É
isto o que vemos? O povo confia nos seus governantes? Como poderemos esperar
que os pobres sejam honestos? O buraco está mais abaixo ou mais acima?
Lembrem-se do que Isaías falava das alianças políticas.
Isaías é um profeta do nosso tempo. Criticou duramente a corrupção
política, como se gritasse contra os políticos de hoje. Todos
sabemos que fazer política é fazer alianças para conseguir
os objetivos - pessoais ou dos poderosos, das grandes corporações
que os políticos acabam representando. São insensatos, loucos,
que se esquecem de Deus, dizia Isaías. Interessante como o mundo não
muda! Mas podemos mudar as nossas cabeças. Esta Campanha da Fraternidade
quer a nossa conversão. A transformação do mundo começa
em casa, em nós mesmos. Pensemos e vivamos como cristãos, católicos,
filhos de Deus e não de Mamon.
(Crônica escrita para o boletim O Peregrino, da Paróquia Santa Teresinha, de Bauru , SP.)