A Garganta da Serpente
Veneno Crônico crônicas
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Agosto, mês do cachorro louco

(José Carlos Brandão)

Agosto é o mês da família, a grande formadora dos valores humanos e cristãos da humanidade. Costumo lembrar as palavras de João Paulo II na encíclica Familiaris Consortio (1981): "O futuro da humanidade passa pela família". Mas lembro também que Bento XVI, em sua visita a Lourdes, disse: "A família encontra-se no meio de uma tempestade". A sociedade passa por uma forte crise moral. Bento XVI, desde sua posse como papa, lamentava o domínio do relativismo no mundo contemporâneo: não há uma ética, mas éticas variáveis conforme as circunstâncias.

Daí a importância da família, salvaguarda do cristianismo, que é o humanismo de que nós precisamos para sobreviver. A sociedade, como um todo, é uma grande família - é a família multiplicada, que se expandiu em todos os sentidos. A família é célula mater da sociedade, como tão bem já foi definida. Não dizem que por trás de todo grande homem há uma mulher? Esquecem-se de que por trás de todo homem e de toda mulher, sustentando-os, moldando-os moralmente, está a família.

No entanto, quem não ouviu falar que esse elemento primordial da sociedade está em extinção? São raras as famílias hoje bem constituídas - com pai, mãe e filhos amando-se e respeitando-se, convivendo como o reflexo da Família Divina, do Pai, Filho e Espírito Santo. Quantas são as famílias bem estruturadas hoje? Se a sua é, erga os braços ao céu. Dê graças a Deus. Bendiga o Senhor dia e noite, porque lhe deu essa graça inestimável.

Parece piada hoje falar-se na santidade da família - essa instituição falida, aos olhos de todos, que vêem nela brigas, desentendimentos, marido para um lado, mulher para o outro, e filhos jogados às traças. Os filhos que se virem - não é assim mesmo? Não é assim em todas as casas? Sabemos que há exceções, mas a praga que desestrutura a família está tão disseminada, que ninguém mais acredita.

"Que mundo deixaremos para os nossos filhos?", costuma-se perguntar, mas deveríamos estar mais preocupados com o inverso da questão: "Que filhos deixaremos para o mundo futuro?" Estamos formando uma consciência moral nos nossos filhos? Estamos realmente dando-lhes a capacidade de distinguir o bem do mal? Quando o papa fala em relativismo é a isso que se refere: nós não sabemos mais o que é certo ou errado, tudo é relativo - conforme a ocasião, age-se desta ou daquela forma. "A ocasião faz o ladrão", diz o provérbio popular, que passa a ser inteiramente verdadeiro com o comportamento do homem de hoje: conforme a ocasião, uma ação é certa ou não.

O bem é o bem, todos sabemos - não pode ser um bem relativo. Mas a sociedade de hoje pensa que o assassinato é permitido - conforme a ocasião. Pode-se entender isso? O respeito à vida humana é indiscutível - não é diferente porque o outro é pobre, ou velho, ou índio, ou doente, ou recém-nascido, ou mesmo recém-concebido. A vida humana é o maior dom que Deus nos deu, e fim de conversa.

Pensamos no mundo que deixaremos para os nossos filhos, com toda razão, mas não podemos nos esquecer de deixarmos bons filhos para o mundo. De que valerá o mundo se os homens não tiverem noção do bem e do mal? Somente a família pode dar essa noção - com o exemplo. Vivendo como uma família cristã - o que quer dizer vivendo humanamente e moralmente bem.

Os defeitos dos filhos nascem dos defeitos dos pais - e as virtudes dos filhos nascem das virtudes dos pais. O caminho a tomar será sempre o caminho da graça de Deus. O amor que falta ao homem de hoje só pode ser encontrado em Deus, que é amor. O que é o amor senão doação? Nós nos damos Deus um ao outro? E se nós não o fazemos um ao outro, podemos fazer isto aos nossos filhos? E como eles saberão amar o próximo se não aprenderam com os pais? Se não viram os pais se amando como Deus nos amou?

Agosto não é o mês do cachorro louco, mas o mês em que a família deve viver a loucura do amor entre seus membros e do amor a Deus. Amar hoje é uma loucura - então amemo-nos loucamente uns aos outros e a Deus, que loucamente nos amou e ama. Amém.

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