A Garganta da Serpente
Veneno Crônico crônicas
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QUANTO VALE UMA PALAVRA?

(Jorge Humberto)

Mas sabem, o que faz-me deveras confusão, ao ponto mesmo de ficar com uma ligeira irritação (para não perder, certa compostura): é o facto de haver pessoas - muitas aliás -, com cultura, maturidade e inteligência, mais do que suficientes, para saber ler, o que se lhes apresenta, no seu dia a dia - e às outras pessoas, que as rodeiam - e fazerem ainda assim, uma má análise, ante tais indivíduos, ora que por menos capacidades suas (as quais julgavam ter, quiçá por se haverem em demasiada conta), ora que - o que é pior ainda - por pura omissão, de suas obrigações, ante elas e essas mesmas, outras pessoas, mas agora o que não podemos ser, é essa coisa incipiente e incolor, que se mistura, consoante as necessidades, do momento, mais ainda porquanto, muitas das vezes, estamos a falar de uma dualidade de critérios, a qual - a sofrer, de nós, tal arbitrariedade -, fará depender - e muito - , o modo como os outros, passarão a julgar-nos e à nossa rectidão, enquanto seres humanos, de uma só palavra.

Existem dois factores, que são inerentes, à própria sobrevivência, de nossa humanidade, são eles a "aceitação" e/ou a "negação", dessa humanidade, assumi-la ou ignorá-la, depende tão somente, de cada um de nós, agora há que ser, mais do que parecer-mos, que somos qualquer coisa, preservando ideias e ideais, sonhos ou crenças, sem olhar para trás nem hipotecar, aquilo por que acreditamos, caso contrário, tudo que digamos ou façamos, não passa de uma farsa, que, a mim, dá-me náuseas.

(29/07/2004)

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