Eu entendo-te... entenderei?... Entendo a necessidade de termos amigos. Quando
a vida nos pesa, são eles o suporte, a ancora que nos cinge e fundeia,
mantendo firme convicções e alimentando sonhos. Ou quando falam
que estamos a fazer bem as coisas, que tenhamos calma, enfim... tudo isso, ou
mostrando-nos o erro. Eu entendo as carências, sejam elas afectivas, sociais
ou - também essas - económicas. Entendo que o mundo é muito
injusto, de entre o que cada um de nós tem por justo e julga ser direito
seu, e que a injustiça se faça recompensar, de que forma for,
porquanto seja esse o nosso entendimento. Entendo que amigo e amizade, que é
dele por nós, e a que lhe damos, não se exige nem se qualifica,
conquista-se por entre falhas e êxitos, que a humildade fica com o Homem.
Eu entendo tudo... entenderei a mentira, o ultraje, os fins justificando todos
os meios?...
Não! Nunca! Jamais! Eu entendo tudo... entenderei até algum subentendido,
jamais o que se move por debaixo da terra, qual verme que lá ficasse,
saboreando o húmus de sua exígua existência. Eu entendo
tudo... entenderei?
Vade retro, ó impuro! Vinde comigo, ó honestamente humano! que,
assim, serei contigo!
(12/10/07)