Quem não sabe perder nunca saberá celebrar a vitória.
Esta máxima é tão mais verdade, que, os vitoriosos, são
uns revoltados, por perdas passadas, e quando calha a ser eles os perdedores
exibem impropérios aos adversários e comportam-se como tal. A
ciência é saber que em tudo na vida há o ganho e a perda.
Os derrotados de hoje têm de felicitar os vencedores e estes, em cortesia,
devem agradecer esse gesto monstruoso, porque a ninguém é fácil
a derrota.
Aos perdedores exige-se o esforço de fazer melhor na próxima vez,
pois já levam consigo o aprendizado colhido noutros tempos. Aos vitoriosos
exige-se-lhes que sejam humildes e continuem a trabalhar para continuarem na
senda da vitória. Tudo isto tem muito a ver com o desporto, especialmente
com o futebol praticado em Portugal mas não só, a América
do Sul é o expoente máximo de como são exacerbados estes
comportamentos radicais.
É triste não participarmos na vitória de nossa equipa,
que acabou de perder um jogo para o opositor, porém temos de ver que,
tal como a nossa ambição, eles também têm, por direito
próprio e trabalho com afinco, a ambição deles. Se a nossa
equipa lutou, deixou as estopinhas em campo e mesmo assim os outros foram melhores
ou tiveram a sorte de seu lado, nós como apoiantes dessa equipa devemos
aplaudi-los e acarinhá-los no fim do jogo, assim como eles, em suas declarações
públicas, devem dar os parabéns ao opositor, que em nada é
nosso adversário.
Outra coisa que não devemos fazer, e é muito comum, é extrapolarmos
para os que nos rodeiam e são queridos, essa nossa mania de nos zangarmos
com tudo e todos, quando perdemos. Por isso eu digo: quem não sabe perder
nunca saberá comportar-se à altura no momento da vitória.
O resto é só jogo, que tem de ser visto e apreciado como tal.
(23/03/08)