A Garganta da Serpente
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Reconheça-se o trabalho da mulher em casa
(Jorge Humberto)

Acho inadmissível que, uma mulher, trabalhando como trabalha em casa, não seja vista como uma mais-valia para a sociedade, e não se lhes pague por isso, com direito a seguro, médico e aposentadoria.

Sabem o que é trabalhar numa casa? eu sei, e, digo-vos, não é nada fácil, por isso dou muito valor às chamadas "donas de casa". Este é já por si um termo pejorativo, devido a isso mesmo, a não terem regalias nenhumas. Ele é cuidar de filhos, da limpeza da casa, de fazer as várias refeições diárias e, imagine-se, ainda há quem brinque, dizendo que elas levam uma boa vida. Se tiverem um bom parceiro talvez lhes admire e compreenda o imenso trabalho e até as ajudem no que podem: levantar uma mesa, lavar a sua louça, tratar dos filhos em conjunto. Admito que os jovens maridos hoje estão mais propensos em ajudar em casa, mas para a maioria é uma vergonha estender roupa, com seus amigos por perto: imaginam a cena? Pois é mas isso deve-se ao seu lado de machão, que não quer baixar seus olhos até aos olhos de sua parceira, e ver como elas vão arranjando doenças e cabelos brancos, que disfarçam (algumas) com a ida à estilista. Temos de acabar com esta comicidade, pois pode-se tirar muito gosto numa lida de casa e mandar os machões para onde elas gostam, que é as tavernas lá da zona. Claro que depois chegam encharcados em álcool, a cheirarem mal e a querem sexo com as esposas. Certamente que isso não está nos planos delas e fazem muito bem. O pior é quando o dia corre mal no trabalho de macho, ou o seu time perde, para virem espancarem suas vítimas, esposa e filhos, que levam por tabela, querendo socorrer a mãe aos prantos, e, a besta, cada vez com os olhos mais esbugalhados, não sabendo já onde acerta.

Não admira pois que cada vez mais os casamentos durem meses, quanto muito um ano. E lá andam as mulheres de um lado para o outro, sacrificando dias, para irem a Tribunais, para conseguirem a custódia dos filhos, pois não é em vão que digo que vivemos num mundo de machões, até os próprios juízes, muitas vezes, se tornam nuns autênticos irresponsáveis e entregam as crianças aos pais, pois estes trabalham e ganham dinheiro, enquanto elas trabalham muito mais que eles e ganhem Zero.

Então há vários sofrimentos aqui apresentados: o da própria mãe, que se viu sem nada, e o sofrimento das crianças, que têm de viver com um alcoólatra. Que ensinamentos podem ter estas crianças, que educação? a chorarem pelos cantos, pela perda da mãe e com medo de irem para casa, quando chega o pai, já bebido: de dia ele deixa-os com os pais, avós das crianças, que à partida acusam de prostituta, a mãe de seus netos, que desencaminhou seu pobre filho, que não fazia nada em casa e só queria o dinheiro de sua preciosidade.

Os Tribunais precisam urgentemente de sangue novo, que estejam fora dos "velhos do Restelo". As mulheres precisam que se lhes reconheça seu trabalho em casa e que sejam ressarcidas por isso. Mas em primeiro lugar são as crianças quem precisa de orientação e apoio materno, viver com um alcoólatra é um passo em frente para o álcool e as drogas duras.

(04/03/08)

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