Acho inadmissível que, uma mulher, trabalhando como trabalha em casa,
não seja vista como uma mais-valia para a sociedade, e não se
lhes pague por isso, com direito a seguro, médico e aposentadoria.
Sabem o que é trabalhar numa casa? eu sei, e, digo-vos, não é
nada fácil, por isso dou muito valor às chamadas "donas de
casa". Este é já por si um termo pejorativo, devido a isso
mesmo, a não terem regalias nenhumas. Ele é cuidar de filhos,
da limpeza da casa, de fazer as várias refeições diárias
e, imagine-se, ainda há quem brinque, dizendo que elas levam uma boa
vida. Se tiverem um bom parceiro talvez lhes admire e compreenda o imenso trabalho
e até as ajudem no que podem: levantar uma mesa, lavar a sua louça,
tratar dos filhos em conjunto. Admito que os jovens maridos hoje estão
mais propensos em ajudar em casa, mas para a maioria é uma vergonha estender
roupa, com seus amigos por perto: imaginam a cena? Pois é mas isso deve-se
ao seu lado de machão, que não quer baixar seus olhos até
aos olhos de sua parceira, e ver como elas vão arranjando doenças
e cabelos brancos, que disfarçam (algumas) com a ida à estilista.
Temos de acabar com esta comicidade, pois pode-se tirar muito gosto numa lida
de casa e mandar os machões para onde elas gostam, que é as tavernas
lá da zona. Claro que depois chegam encharcados em álcool, a cheirarem
mal e a querem sexo com as esposas. Certamente que isso não está
nos planos delas e fazem muito bem. O pior é quando o dia corre mal no
trabalho de macho, ou o seu time perde, para virem espancarem suas vítimas,
esposa e filhos, que levam por tabela, querendo socorrer a mãe aos prantos,
e, a besta, cada vez com os olhos mais esbugalhados, não sabendo já
onde acerta.
Não admira pois que cada vez mais os casamentos durem meses, quanto muito
um ano. E lá andam as mulheres de um lado para o outro, sacrificando
dias, para irem a Tribunais, para conseguirem a custódia dos filhos,
pois não é em vão que digo que vivemos num mundo de machões,
até os próprios juízes, muitas vezes, se tornam nuns autênticos
irresponsáveis e entregam as crianças aos pais, pois estes trabalham
e ganham dinheiro, enquanto elas trabalham muito mais que eles e ganhem Zero.
Então há vários sofrimentos aqui apresentados: o da própria
mãe, que se viu sem nada, e o sofrimento das crianças, que têm
de viver com um alcoólatra. Que ensinamentos podem ter estas crianças,
que educação? a chorarem pelos cantos, pela perda da mãe
e com medo de irem para casa, quando chega o pai, já bebido: de dia ele
deixa-os com os pais, avós das crianças, que à partida
acusam de prostituta, a mãe de seus netos, que desencaminhou seu pobre
filho, que não fazia nada em casa e só queria o dinheiro de sua
preciosidade.
Os Tribunais precisam urgentemente de sangue novo, que estejam fora dos "velhos
do Restelo". As mulheres precisam que se lhes reconheça seu trabalho
em casa e que sejam ressarcidas por isso. Mas em primeiro lugar são as
crianças quem precisa de orientação e apoio materno, viver
com um alcoólatra é um passo em frente para o álcool e
as drogas duras.
(04/03/08)