Ouço todo dia na TV esses senhores que entendem de tudo, inclusive de
política. Que vão fazer e acontecer. Vão aquilo, aquilo
outro, outro aquilo, aquilo aquilo, aculá, cula-á. Tomam um tempo
imenso nas telecomunicações, prometem, remetem, preterem. O país
todo no oba oba das propagandas e marketing eleitorais. Eu fico pensando nas
pessoas que estão com cinqüenta o mais; já viram esse filme.
Escutaram, acreditaram, participaram dessa farsa, e hoje, não acreditam
em mais nada, a maioria.
- Vem um e diz; vou... Os hospitais, - vem outro vou... Educação,
- vem outro... A violência; vem outro... O salário, poluição,
pobreza, distribuição de renda, mais justiça. Todo mundo
vai fazer tudo, vai construir um novo Brasil, ah, ih, oh. Seremos uma nova nação
depois dessas eleições. Um outro povo, quase europeu, primeiro
mundo quem sabe? Meu ouvido não é pinico, não agüento
mais ver esse tipo de propaganda. O cara pode até está falando
a verdade, mas o formato da coisa me dá náusea.
E sou politicamente engajado. Alias, desconfio que essas eleições,
não são; para pessoas politicamente engajadas. "Não
tem mais esquerda", não podemos falar mal da burguesia, até
porque queremos ar condicionado, TV LCD plasma, e outros caprichos do mercado
mundial. Não tem centro, não tem direita. Acho que são
todos da direita, até porque, querem endireitar tudo. E as coligações,
nossa! Fulano da esquerda com fulano da direita, sicrano da direita com sicrano
da guerrilha. Militar com esquerdista, guerrilheiro com coronel sertanejo, que
loucura.
Ficou difícil ter uma coerência partidária, política
e ética, tudo isso se perdeu. Não to dizendo que temos que fundar
o CCCP, Deus me livre. Mas também decretar uma suruba partidária...
Dizem que é a modernidade, que esse tempo de radicalismo já era.
Acho que muita coisa tá ultrapassada mesmo como; comunista não
trepa, não pode escutar Rock, e outras coisas mais. Para ser engajado
tem que ser feio e recitar trechos do Capital de Marx. Os burgueses não
prestam, nunca vá a uma festa de burguês. Quanta besteira; são
as melhores festas. Quem não gosta de um prosecco de primeira, uma mulher
bem cuidada, que usa creminhos caros, com rostinho de porcelana. Agora sei,
o quanto perdi!
Tá eu sei, somos muito doidos também. Acho que fiquei doido de
tanto ler Marx, não foi Lênin, não foi Carlos Castaneda,
esse é de deixar qualquer um doido mesmo. Política ou sexo? Só
fui me formar sexualmente depois que enjoai de política. Como nada mais
fazia sentido, comecei a trepar, me especializei em mulheres que preferem tudo,
menos política. Estou muito feliz agora, quase feliz?! Alguém
sabe em quem votar? Estou em duvida, não sei se voto nos catedráticos
da minha época sandinista, ou no meu vizinho que vem como deputado. Disseram-me
na minha redondeza, que não adianta votar em neguinho lá do caixa
prego, que você nem conhece. Depois não dá para pedir coisa
nenhuma o cara, um emprego, passe único, chopinho e até uma gatinha,
se é que me entendem!
Não sei se notaram, sou mais um dos descontentes, alienados e ludibriados
filosoficamente falando. Eu que sabia de tudo, quem era bom político.
Fazia minhas previsões, escalava os melhores representantes, fazia um
cronograma, uma lista com os cascas grossas da política. Correlacionava,
pesava. Passava noites discutindo, era quase uma greve de sexo. Discutir política
e tão cansativo que o cara fica estafado, não tem vontade de mais
nada, a não ser, discutir política. Tenho saudade dessa época,
mentira, não tenho não! Tenho sim!
Como repararam estou tão confuso, que mal consigo escolher um candidato
a altura das minhas pilhas de tratados políticos e filosóficos.
Não sei o que aconteceu comigo. Acho que fiquei babaca, muitos da minha
época ficaram babacas. É o que ouço quando passo por uns
caras cabeludos empinado bandeiras, ou quando me deparo com camaradas cara pintadas
pedindo umas moedas - sou calouro senhor! É perdi mesmo o animo para
esse negócio de política. Não perdi, só enjoei.
Sei lá?
Tentei pegar minhas apostilas para fazer uma analise séria da situação.
Descobri que tenho um mapa onde a União Soviética era constituída
de todos os paises do leste europeu, então não rolou, muito defasado.
Senti-me no filme "Adeus Lênin" a Alemanha unificada eu meio
viajandão. Historiei todos os partidos de esquerda desde setenta, descobri
que muitos ícones políticos já não fazem mais parte
desse mundo, que ótimo, para eles é claro. Configurei todos os
lideres de DCES atuais, descobri que não conheço nenhum deles,
azar o meu! Pergunto nos botecos sobre a atual conjuntura política, eles
não sabem de nada, preferem a Dani bananinha.
Outro dia ligou para mim uma menininha, até com a voz bem sexy.
- o senhor conhece Fiorillo Ambrosio.
- não conheço não, respondei curiosamente. E perguntei
a ela se assa pesquisa era direcionada pelo Fio Cruz, CAP, IUPERJ.
- ela respondeu; não senhor e do diretório dele aqui em Alcântara.
- ok, fui educado e não questionei, era cedo eu tinha muito sono para
isso.
Que dizer, que agora tenho que conhecer todo mundo. Eles agora fazem pesquisa
por telefone, como descobriram o meu. Fiquei desconfiado, será que alguma
ficha do DOPS foi parar na mão desses caras. A pessoa não tem
nenhum senso de metodologia da pesquisa das ciências políticas.
É só pegar o telefone é pronto! Tá tudo dominado!
Ainda me perguntam se eu entendo de política, e sendo assim, se eu quero
discuti-la. Podendo evitar é bom né.
Fico abismado com o fato aterrador de "elegíveis" que não
tem grau de escolaridade. Aí cismam de virar funcionário público.
Fala sério! Alguém sabe o sacrifício que é virar
funcionário público. Tenho amigos que nunca namoraram até
os vinte cinco anos, estudavam todos os finais de semana, não tinham
tempo pra nada. E tem o fatídico episódio, mesmo que você
abdique de tudo, não te dá garantia de passar em um concurso público.
Aí vem um fulano dizendo que sabe de tudo, que ele é o melhor,
que você tem que votar nele. Daí eu pego, ligo o computador acesso
o site Club da Putaria, é feito um remédio para traumas causados
por missionários que em suas falácias, trazem a verdade absoluta.
Mas mesmo assim ainda me chamam de babaca.
Se queriam me excluir da critica política conseguiram. Não tenho
o mínimo saco para isso. Mas hoje especialmente me deu um negocio, aí
eu pensei, vou escrever uma crônica política. É triste participar
desse panorama político sem nenhuma convicção utópica,
sem ideologia que me faça acreditar nas mudanças. a coisa ficou
tão ruim, que nem debate da vontade de ver. Da vontade de nada. Mais
o que é política hoje... N...