O palavrão não o necessariamente o é. Pode ser uma palavrinha
monossilábica e redonda, da mais vulgar. Independente de qual seja o
sentido disso que chamamos de palavrão, poucas coisas soam tão
poéticas nos dias recalcados de hoje. Talvez possamos até dizer
que há alguma alegria ao se soltar um destes - mesmo que esta volúpia
não nos seja momentânea no ato deferido. O palavrão também
talvez seja a mais honesta das instituições humanas. Sim, pois
o palavrão de tão falado há muito já é uma
instituição...
Parece absurdo? É absurdo realmente, mas o que não o é...?
Apenas não reconhece o absurdo os que são felizmente ingênuos...
No entanto o palavrão nada tem com os nossos polimentos, e é um
dos entes mais reais e presentes do cotidiano. Mesmo não sendo declamado
a todo momento, nos momentos de irritação é muito provável
que ele esteja ali circundando nossa mentes. Mas cuidado! Há alguns poréns
nesta história de palavrão...
Nosso personagem não é assim tão atributivo entre ignorantes,
ele só soa digamos "belo" quando emerge de alguém de
mesma condição; àquele que também é belo
nos diversos sentidos do termo: belo fisicamente, "culturalmente",
honestamente, etc... Então pense e reflita: Já viu uma mulher
linda se tornar ainda mais do que quando solta um palavrão? Ou alguém
insuportavelmente culto e polido, se tornar mais simpático e polido soltar
o vilão? Torna-se até cômico, e o cômico é
sempre simpático e agradável!
Há ainda os casos em que o palavrão revela a mais doce ternura;
quem não se sentiu enternecido ao ver uma velhinha ou criança
falar um palavrão assim sem maldade? Sim senhores, o palavrão
se não é tão sofisticado como as coisas ditas "sublimes",
é no mínimo uma instituição que merece respeito
entre nós...