A Garganta da Serpente
Veneno Crônico crônicas
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Uma visão humorada do palavrão

(Lucas Araújo)

O palavrão não o necessariamente o é. Pode ser uma palavrinha monossilábica e redonda, da mais vulgar. Independente de qual seja o sentido disso que chamamos de palavrão, poucas coisas soam tão poéticas nos dias recalcados de hoje. Talvez possamos até dizer que há alguma alegria ao se soltar um destes - mesmo que esta volúpia não nos seja momentânea no ato deferido. O palavrão também talvez seja a mais honesta das instituições humanas. Sim, pois o palavrão de tão falado há muito já é uma instituição...

Parece absurdo? É absurdo realmente, mas o que não o é...? Apenas não reconhece o absurdo os que são felizmente ingênuos... No entanto o palavrão nada tem com os nossos polimentos, e é um dos entes mais reais e presentes do cotidiano. Mesmo não sendo declamado a todo momento, nos momentos de irritação é muito provável que ele esteja ali circundando nossa mentes. Mas cuidado! Há alguns poréns nesta história de palavrão...

Nosso personagem não é assim tão atributivo entre ignorantes, ele só soa digamos "belo" quando emerge de alguém de mesma condição; àquele que também é belo nos diversos sentidos do termo: belo fisicamente, "culturalmente", honestamente, etc... Então pense e reflita: Já viu uma mulher linda se tornar ainda mais do que quando solta um palavrão? Ou alguém insuportavelmente culto e polido, se tornar mais simpático e polido soltar o vilão? Torna-se até cômico, e o cômico é sempre simpático e agradável!

Há ainda os casos em que o palavrão revela a mais doce ternura; quem não se sentiu enternecido ao ver uma velhinha ou criança falar um palavrão assim sem maldade? Sim senhores, o palavrão se não é tão sofisticado como as coisas ditas "sublimes", é no mínimo uma instituição que merece respeito entre nós...

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