Quando mais queridos me são os amigos, mais eu os negligencio, abuso
do carinho que têm por mim, e guardo todos eles no canto mais importante
do meu velho e decadente coração, é um cantinho que trato
como o cofre, daqueles protegidos em corredores e portas blindadas, onde guardo
as jóias mais valiosas da minha dinastia, deposta já faz tempo
por um golpe comodista. Talvez por isso, esse cantinho tão precioso,
seja tão pouco visitado, sei que estão lá, seguros e em
ocasiões especiais dá pra encontrar e acessar as jóias
mais raras... Ah, como eu amo meus amigos!
É um sentimento tão bom que, mesmo com esse meu descarado desmazelo,
ainda sinto saudades e fico uns dois ou três dias com a consciência
pesada por esperar que eles me mandem notícias primeiro. Acho que é
culpa desse meu maldito complexo de falta de tempo ou de culto ao ócio...
Pode até parecer contraditório, mas minha dedicação
ao ócio é tanta que me falta tempo pra dar atenção
a quem mais merece...
São desculpas e mais desculpas, sou mestre me arranjar desculpas, principalmente
quando bate aquele sentimento de ser amigo ausente, aquela certeza de que tenho
mais amigos do que sou, mas saibam quantos lerem essa pública declaração
que: sou péssimo amigo, assumo, mas conformem-se com a importância
que cada um de vocês têm na minha vida e com uma única missão
que lhes atribuo: nunca me tratem como eu os trato, nunca deixem de monitorar
os sinais vitais da minha paixão...
Tenham todos um 2010 danado de bom, cheio de coisas pra fazer, cercados de pessoas
realmente importantes e que possamos curtir um pouco mais de perto o carinho
que tenho por cada um de vocês!