Começou com minha mãe (doce e-terna dependência) que alimentava
meu corpo e meu espírito. Vieram professoras que alimentaram minha educação,
meu conhecimento, algumas até as primeiras paixões e continuei
dependente. Depois o primeiro beijo e começaram a alimentar minhas paixões,
os romances juvenis... E lá me via continuadamente dependente....
Quando veio a bola, dei-me conta de que estava novamente à mercê,
agora daquela senhora obesa, judiada, mal cheirosa e chutada por todos, só
eu a queria em minhas mãos...
E chegaram as oportunidades... Dependia de uma mulher pra conquistar o primeiro
emprego, pra ir ao primeiro baile, pra dançar a primeira música,
a primeira calça Lee, a primeira prostituta, o primeiro ato e já
dependia das mulheres pro meu prazer.
Com a primeira filha dependi mais do que nunca de uma pequena mulher pra ser
um homem.
Começaram a chegar os desencantos, e até neles dependi de uma
mulher ora pra me sustentar, ora pra me machucar e resolvi declarar minha independência...
Anos livres, sem satisfações, sem falsas declarações,
liberto afinal!
Bateu a solidão, o desencanto, mas veio o apego às flores e a
mais femina de todas elas: a orquídea amarela, mas era livre, amargo,
mas independente.
E me veio a palavra e com ela a escrita, companheiras leais, que me entendiam
perfeitamente; sem imporem nenhuma dependência, alimentaram minha liberdade
de expressão.
O velho rejuvenesceu quando retornei a cidade onde tudo começou... E
recomecei independente, observando as orquídeas e numa trinca de damas,
o jogo batido, acusa um olhar...
E te tenho e me entrego à tua dependência, à tua reciprocidade,
ao teu amor!