A Garganta da Serpente
Veneno Crônico crônicas
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Dependência ou morte!

(Roberto Hefler)

Começou com minha mãe (doce e-terna dependência) que alimentava meu corpo e meu espírito. Vieram professoras que alimentaram minha educação, meu conhecimento, algumas até as primeiras paixões e continuei dependente. Depois o primeiro beijo e começaram a alimentar minhas paixões, os romances juvenis... E lá me via continuadamente dependente....

Quando veio a bola, dei-me conta de que estava novamente à mercê, agora daquela senhora obesa, judiada, mal cheirosa e chutada por todos, só eu a queria em minhas mãos...

E chegaram as oportunidades... Dependia de uma mulher pra conquistar o primeiro emprego, pra ir ao primeiro baile, pra dançar a primeira música, a primeira calça Lee, a primeira prostituta, o primeiro ato e já dependia das mulheres pro meu prazer.

Com a primeira filha dependi mais do que nunca de uma pequena mulher pra ser um homem.

Começaram a chegar os desencantos, e até neles dependi de uma mulher ora pra me sustentar, ora pra me machucar e resolvi declarar minha independência...

Anos livres, sem satisfações, sem falsas declarações, liberto afinal!

Bateu a solidão, o desencanto, mas veio o apego às flores e a mais femina de todas elas: a orquídea amarela, mas era livre, amargo, mas independente.

E me veio a palavra e com ela a escrita, companheiras leais, que me entendiam perfeitamente; sem imporem nenhuma dependência, alimentaram minha liberdade de expressão.

O velho rejuvenesceu quando retornei a cidade onde tudo começou... E recomecei independente, observando as orquídeas e numa trinca de damas, o jogo batido, acusa um olhar...

E te tenho e me entrego à tua dependência, à tua reciprocidade, ao teu amor!

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