Caetano Bethânia Maria Veloso. Jogo de Estrelas. Jogo de Amarelinhas. Pulando
de um pra outro. Céu e inferno? Ou muito pelo contrário? Tudo a
ver.
Descobri o maior segredo guardado a sete chaves baianas do repertório lendário
de nossa maravilhosa MPB: Caetano Veloso e Maria Bethânia são uma
só pessoa. Calma, péra aí, explico. Bahia de todas as santas.
Deus é mãe.
Aliás, como é que vocês nunca notaram a semelhança
de circunstancia coincidente? Tá na cara, leãozinho. Caetano Veloso
e Maria Bethânia são um só. Eles se revezam. Quando um lança
um novo cedê, o outro some depressinha. E vice-versus. Quando um faz turnê
pro sul-maravilha, o outro diz que está na Europa. Estranho, mas crível.
É a cara de um e o astral de outro. Só que o Cae pra ser Bethânia
usa peruca, entrelaçamento. Mas se fizeram dois, para ganharem mais dinheiro,
trabalhando menos. A famosa preguiça baiana, sabem. Dorival Caymi deve
ter sacado logo de cara a multiplicação de flashs.
A Grã Bethânia, a maior cantora do Brasil hoje em dia, lançou
o belíssimo cedê Maricotinha. Caetano sumiu. Eles são um só,
como os japoneses que são todos gêmeos, mais nasce um de cada vez.
Mais ou menos assim, se é que vocês me entendem.
Claro, dizem que Cae nasceu primeiro. Dona Canô deve ter então inventado
uma outra nova Bethânia, que é o outro lado qualquer coisa jóia
odara do Caetano Vianna Telles Veloso. Que ele incorpora muitíssimo bem,
nessa nossa latíndia afrobrasilis, e assim se sai muito bem, claro, pois
eles, quero dizer, ele, o Cae, é o maior compositor brasileiro, que ele
mesmo, também genial, facilmente compôs a Bethânia, como diz
extra-oficialmente que foi ele que escolheu o nome da irmã - que se injeta
de ser pra delírio e glamour geral. Mas ele a dubla, apenas, isto é,
incorpora esse outro ser-se de si mesmo alegria alegria (sem lenço e sem
documento) e assim são dupla de um só, de cada vez. E cada vez melhor,
sempre.
Alguém já viu o documento-identidade do Cae e o da Bet Bet Bethânia?
Aí tem a cara e a coragem, a outra face da mesma moeda. Cara e cara. São
tão parecidos (uns são, uns não, uns hão), idênticos,
vitelinos, que só podem ser um só. Faz sentido. Caetano, o homem,
afina a foz. Bethânia, a mulher, engrossa. Pra disfarçar. Despiste,
sabe.
Mas são um só, Se vocês o viram em dupla, pode crer que é
montagem das boas. No show Doces Bárbaros, bem que tinha muita luz, um
espetáculo e tanto. Jogo de espelhos. Ou é a Gal (que também
é Maria das Graças) que, ora interpreta ora o Cae, ora a Bet, colaborando
com o disfarce?. Pode apostar nisso. Maria Bethânia é Caetano, Caetano
Veloso é Maria Bethânia. Sem tirar nem pôr.
Dizem que poucas vezes foram visto juntos no mesmo palco-íris. Ela diz
que o adora. Ele merece. Ele diz que é sua irmã-alma. Tá
vendo como eles se contradizem, se traem, porque tentam despistar o óbvio
ululante?. Alô você, confesse, vá, já viu os dois lado
a lado, pessoalmente? Alguém já viu? Claro que não. Só
pode ser truque, montagem espetacular, em raras vezes que se apresentam juntos.
Não é à toa que o show da Bethânia é caríssimo
e raro. Diamante verdadeiro. Um é o álibi do outro? Vá saber.
O repertório dela é uma Caetanópolis por atacado. O jeitão
dele no palco se controlando, segurando o tchan, é bem Caetano Bethânia.
Caetanear, por que não? Vocês nunca sacaram as letras do Caetano
Veloso? Enquanto Chico Buarque canta a alma feminina, Bethânia é
o Id de Caetano, sua alma-germinal. Sacou o lance?
Como é que você vai querer que uma mulher vá viver sem mentir?
Bethânia mente que não é Caetano. E Caetano é um esse
cara, se consumindo. Um homem-mulher. Não sexualmente falando, sabe, mas
artisticamente sendo uma espécie de dupla de um. Ele, um dia, sacou que
poderia inventar de inventar uma alma andaluz, e, cinema falado, representa bem
a irmã baby. E sai-se muito bem, diga-se de passagem. Adoravelmente outra
pessoa, mais exatamente iguais. Balaio sem tampax.
Se você pegar um programa de computador, um que tenha ilha de edição,
e gravar um, esse cara, depois gravar outro, idem, interpondo as imagens, vai
verificar que são idênticos como unha e acne. Iguaizinhos. Assim
dá mais lucro. Pode ver que Caetano trabalha no primeiro semestre e Bethânia
só no segundo. Pra vadiar. E assim vão levando a temporada, celebridades
que são. Afinal, não podem se encontrar, claro, um corpo só
não pode ocupar dois espaços físicos diferentes, a não
ser que um assuma outra identidade-glamour. Mas não é psicótico,
neurose, é amor em dobro, arte em dobro, como uma peça-dobradiça
só se completa sendo macho-fêmea no sentido puramente estético-existencial
de percurso e mais valia.
Caetano se disfarça de Bethânia, e canta Olhos nos Olhos, Cálice
- aliás o Caetano Bethânia adora o Chico. Bethânia tira o entrelaçamento
capilar, afina a voz (que é sua voz normal quando ele não recebe
a santa Bet) e grava Peninha, Fernando Mendes. As canções que você
fez pra mim mesmo. Pegou? Captou minha mensagem?
Como aço e imã. Irmanados. Todos os unos. E pode ver que tem uma
música que Caetano entrega o ouro da bandida. Diz que adora palavras trabalhado
em ã. Como imã, irmã. Ele é irmã dele mesmo.
Sorte nossa. Isso é que é talento. Quando ele canta em falsete,
então (eu sei que vou te amar), ele se completa como flor-fêmea,
pássaro-flor, e sua baianidade de Subaé em jogos de amarelinhas.
Quando é que Caetano é ele mesmo? Cinema calado? Noites do norte.
Outras palavras. Pula. Quando é que Maria Bethânia é ela mesma?
Quando canta Tigresa, Índio, Ciúmes, o lado Bobô de Caetano
mandorová-camaleão. Eu que não caio nessa.
Quando for no show de um, vou pedir autógrafo do outro. E nem é
dupla personalidade, pois tudo é muito claro. Quando for no show do outro
- e existem outros? - vou pedir autógrafo dobrado pelo mesmo preço-ingresso.
Como saquei essa, e adorei, não preciso fazer chantagem ou usar de extorsão,
vou fazer uma promessinha: Caetano musica letras-mantras minhas, e Bethânia
(os dois um só) interpreta, e eu os perdôo imensamente. Sem tirar
nem pôr.
Aliás, com aquela cabeça, Caetano ser um só era mesmo desperdício
corpóreo-sensorial. Então ele se empluma todo, parecendo uma penteadeira
de cigana, e assim, sem precisar soltar qualquer dragão-rainha de sua sensibilidade-ninhal,
fina flor da espécie que é avis rara, parece-se e é!.
O muso Caetano é esperto. Por isso é meu ídolo-mor. Tem as
mil e uma noites dentro do ser-se de si., E como nunca toda arte lítero-musical
é selfgrafia, ele se despacha ora um, ora outra. Pesquisem as letras dele,
pra ver como ele se entrega. De maneira tácita confessa nas entrelinhas
aqui e ali. Implicitamente. E dá um belo baião de dois num mesmo
solo corpóreo, boleros-blues. Como é que eu não tinha pescado
isso antes? É pura magna mágica. Coisa de Terra do Nunca. Você
nunca foi à Bahia? Dizem que lá, toda mulher-bandeira determinada
é cabra macho. E todo homem cheio de si é purpurina-talismã.
Deve ser isso. Afinal, ninguém pode fugir de ser dupla quando pode ser
tantos e timbres e tons e tais. Ora direis, ouvir estrelários.
Caetano Veloso e Maria Bethânia são uma só pessoa? Quem é
a persona? Adoro os dois. Dose dupla de alto poder criativo. Deixa sangrar. Cenário
e camarim. Com todas as letras, todas as músicas, todos os jogos de cena
e interpretações. Palco iluminado num só diapasão.
Sangue bom é fogo e fato.
A Dona Canô deve ser Santa. Ou isso é macumba das grossas, como Dorival
Caymi e ACM que, aliás, podem ser mesma pessoa também, um no violão
náutico e outro na violação do painel do congresso mar de
lama neoliberal? Mas aí já seria exagerar. E eu não sou disso.
Onde já se viu?
Falando sério. Gosto de sacar as coisas que, de tão claras, poucos
enxergam, como o óbvio ululante que estranhamente ninguém nunca
vê.
Maria Caetano e Bethânia Veloso são uma só pessoa.
É por ter estado tão maravilhosamente (e divinalmente) oculto, que
terá sido o óbvio