A Rita Lee é a verdadeira Sabiá de Sampa, nesses 450 anos de muitos forfés e
gandaias, críticas e invencionices, exageros e mentiras. Irreverente ela é,
um baú de paradoxos, que troça até mesmo do marido-vítima (acha-o mais
"esquisito" do que o Michael Jackson) e já teria, segundo as boas más
línguas, apanhado dele, quando tava numa larica daquelas... (Ave Sampa - Os
que vão sobreviver são saúvas...)
Pois é, nessa Sampa de campos & espaços - panamérica de áfricas utópicas
(Caetanear, porque não?) - de Anchieta a Tomzé, de Mário de Andrade a
Adoniran Barbosa, de tantas riquezas injustas, lucros impunes (muito ouro e
pouco pão) é a mãe-do-rock Rita Lee quem deu o tom, na passarela de nossas
liras paulistanas. Ainda bem.
Nesses tempos bicudos, em que a Marta Light do PT, depois de um tucanato
amoral e decadente, mostra a cobra e investiga os antros, lutado contra a
máfia dos transportes, dos fiscais, dos perueiros, do contrabando informal,
dos camelôs e também por isso vem sendo levianamente atacada por promotores
açodados pela decadência do tucanato, a Augusta Sampa comemora 450 anos e
temos muitas razões para comemorar, apesar de tantas históricas dívidas
impagas desde a libertação dos escravos, depois desde o dia da mentira da
canalha de 64, e depois de FHC, o Pai da Fome que, como ex-sociólogo,
seqüestrou o sonho de justiça social de milhões de incautos eleitores-amebas
que acreditam numa fraude eleitoreira chamada plano real...
Depois de obras faraônicas, superfaturadas, de túneis inúteis e suspeitas de
desvios de altas verbas no Rodoanel, a Marta do PT tomou posse da bomba
(herança de más gestões anteriores) e mostrou fibra, raça, lutando contra
máfias, quadrilhas e reacionários babaquaras. E vem dando um show.
Embelezou Sampa. Reformou avenidas abandonadas, estruturou escolas,
inaugurou unidades de educação e lazer em tempo integral, tirou camelôs do
centro velho, reformou essa cidade cheia de totens, arranha-céus mas com
pouco conteúdo sócio-cultural. A cidade ganhou forma. Também, é claro, criou
taxas para obrigar um lado do povo sem cultura a sentir o peso da falta de
educação no bolso, foi criticada, vaiada, mas colocou o pé na lama, sentiu
os contrastes sociais, as resultantes de seculares dívidas impagas, e,
determinada, coerente, limpa e límpida, dá de dez a zero no insosso governo
do estado que, tachado de Picolé de Chuchu pelo Zé Simão da Folha de São
Paulo, que em nove anos de desgoverno não fez nada, faliu a educação
pública, quebrou a segurança pública, parecendo que, quem ainda está no
poder é o Mário C ovas, tal a situação do estado como um todo. Mas, com
Marta Suplicy, a Augusta Sampa ainda resiste, com apoio, claro, do light
Lula do PT Federal. Nota Dez pra Marta!
A festança prometeu e foi um show. E a Rita Lee foi o clímax do ágape
público. A grande metrópole, uma das maiores e mais populosas do mundo,
ainda se enfeita, com apoio financeiro de verba pública, de entidades
internacionais de renome, de empresários que aqui ganharam dinheiro e assim
bancam eventos e criatividades por atacado. O povão adorou vai adorar a
seqüência de forfés.
Nunca, em tão pouco tempo, São Paulo sentiu firmeza em acreditar em mudanças
que ocorrem desde que a atual gestão tomou posse. Claro que, a gritaria de
antros de corrupções e babaquaras adversários de ocasião contam, fazem
alarido de hienas neoliberais incompetentes e corruptas, mas a cidade
resiste e agradece ares novos e tempos novos. Estilo rouba mas diz que faz?
Vade retro! Nunca mais.
Os tempos são outros. A esperança venceu o medo em todos os sentidos. A
cidade respira luz, belezuras. Nem privatizações-roubos, nem estatizações de
curriolas, mas humanismo de resultados. Sorri, a periferia que foi
beneficiada. Ainda bem.
O Ibirapuera tem agora um marco de multimídia de primeiro mundo.
Forfés que multiplicam criatividades e opões viçam pelaí. Esse aniversário
foi um show e vai ainda dar muito o que falar, pra gaiato nenhum pôr
defeito. Há festins para todos os gostos. Essa Sampa que é um Brasil dentro
do Brasil: onde corre mais grana do que em todos os demais países da América
do Sul (e mesmo de alguns países da Europa), vai fazer valer sua fama, seu
charme, inclusive dentro do que preconizou a máxima de Caetano sobre essa
cidade-força que ergue e destrói coisas belas. Assim seja.
Turistas ainda aportam aqui, oriundos do Brasil todo. Da América pobre toda.
Do exterior também. Museus e universidades lotadas de mostras, projetos,
usinas de arte-criação. O Mestre Picasso e existem outros.Clubes em festa.
Show populares nos quatro cantos dessa paulicéia desvairada. Eu, por mim, já
andei inscrevendo livros, participando de concursos, sondando participações,
pois, mesmo que andorinha sem breque, da Estância Boêmia de Itararé, sendo
um migrante vencedor em Sampa, cá deixei minha marca, meu rastro, minha
impressão existencial-sentidora.
Ganhei prêmio na USP, na Biblioteca Mário de Andrade (Poema Para Uma Grávida
Tomando Cerveja num Bar do Bixiga) e estou no contexto, tendo participado de
cursos, eventos, dando entrevista na TV Band, no Metrópole (TV Cultura), e
ainda lutando para realizar minha lenda pessoal nessa cidade grande que nos
dá cursos, currículo, prêmios, bens, mas também nos cobra a determinação, a
mágica do novo, a arte-ofício de estar sempre alerta, quer pelo sensível,
quer pela construção do inédito, quer pela sobrevivência por causa de
heranças nefastas de impunidades generalizadas desde os hediondos tempos da
canalha de 64, até um Plano Real que faliu a classe média, e que atira os
rejeitos sociais da periferia S/A nas escolas públicas, e em becos, cortiços
e guetos de todos os naipes. Essa é Sampa. Difusa e contraditória. Paradoxal
e antagônica. Alegre e perigosa. Com Rita Lee, claro. Rica e com zilhões de
descamisados, a capital das favelas, tudo isso numa soma, num
liiquidificador de idéias com lucros e perdas, predações e danos.
Pensemos a data. Olhemos os excluídos sociais. Oremos e vigiemos. E façamos
parte desse Carnaval Temporão, dessa Micareta de Sampa que é seu niver cheio
de graça. E que venham também conquistas sociais, reformas estruturais, sem
obras faraônicas, supérfluas e superfaturadas: a apuração dos desvios de
verbas públicas desde a Avenida Águas Espraiadas até a lama do Rodoanel e as
privatizações-roubos. Sem trocadilho, a Marta Light do PT tem peito pra
isso, com a Polícia Federal de retaguarda, com o governo federal de base,
para que a festa seja mesmo nossa, de todos nosotros que aqui fincamos pés e
queremos uma São Paulo justa e sem o miserê de herança de suspeitos planos
econômicos que engordaram cofres bancários e engodaram eleitos incautos.
Dá-lhe Sampa. Ave Sampa! O Haiti é aqui? Nem sempre. Mas a Rita Lee é aqui!
Sampa, sai de baixo!