"Ou restaura-se a moralidade/Ou nos locupletemos todos..." (Jornalista Rui Barbosa)
Particularmente sou contra a obrigatoriedade do Curso do Jornalista para o
exercício de tão nobre profissão, assim como sou contra a tal Ordem dos
Músicos do Brasil e suas obrigatoriedades sem os retornos legais,
pertinentes, em forma de sagrados direitos autorais, em sintonias tão
nebulosas.
Lembro que comecei a colaborar com jornais do interior com pouco mais de 16
anos. Croniquetas, humor, a princípio. E num jornal assim, um jovem
dinâmico (e encantado com o ambiente) faz de tudo. De correções a
entrevistas, de colunas a rascunhos de editoriais, de colunas de variedades
a crônicas sociais, de coberturas a flagrantes de reportagens, por aí a
fora.
Faz uns 15 anos e já beirando os quarenta, resolvi fazer uma Oficina de
Jornalismo pela ECA-USP. Foi uma graça de moleza. Alunos formados pela ECA,
ex-alunos ou ainda calouros e formandos, todos, jovens, sabiam menos do que
eu porque, bem ou mal, na verdade o que vale é a prática, além de, claro,
muita leitura, alguma facilidade de raciocínio imediato, lucidez e, o,
ponhamos, espírito de repórter mesmo, o chamado faro-fino, por assim
dizer...
Durante esses anos de "jornalismo cultural" (digamos assim), claro que
cometi erros, sem nunca cometer uma barriga, ainda bem, mas, grosso modo, de
uma maneira geral, mostrei estilo e espírito dinâmico para a área, fiz
denúncias, levantei casos, corri riscos, sofri ameaças de processos, e, sim,
considero-me com orgulho um bom Repórter (ou frila ou mesmo jornalista, como
queiram), e confesso que até mesmo fui filiado à uma Associação de Imprensa
coisa e tal.
Mas, depois desse introdutório com fito apenas esclarecedor, entrando na
temática propriamente dita, eu, que também cursei direito e fiz outros
cursos, por experiência de percurso e alguma visão de vantagens e problemas
na área, acho que os jornalistas teriam mesmo que ter um certo crivo, por
assim dizer (não censura) via sindicato, associação, união, categoria (não
corporativismo) ou coisa que o valha, de um oportuno Conselho de Ética e
Disciplina de meio, como tem a OAB e que, mesmo com problemas que
bacharéis-advogados tenham, funciona muito bem, principalmente em áreas
desenvolvidas do país, os grandes centros urbanos.
O Jornalista, formado ou não pois o que vale mesmo é o talento e o jeito
pra coisa estaria sujeito à esse Conselho de Ética e Disciplina. Poderia
ser advertido, punido, cassado, ter a sua desfiliação e outras sanções mais.
Tudo nos moldes da lei, a serem auditadas, com os hábeis direitos de defesa
e mesmo com máxima transparência e democracia, claro.
Nesse caso, a bem dizer, poderiam avaliar comportamentos como o do Ferreira
Neto (já falecido) só para dar um circunstancial exemplo quando embolou
o meio de campo numa falsa entrevista que montou com o seu amigo Collor, ou
quando, aqui e ali o Estadão de jeito tendencioso o PT, generalizando de
forma até mesmo estúpida.
Ou mesmo, quando a Folha de São Paulo publica "artigos" de políticos do
modus operandi "rouba mas faz", não contribuindo assim, nadica de nada, para
o bom desempenho da função altamente esclarecedora e formadora de opinião e,
claro, o próprio exercício da transparência democrática nos meandros dos
mais variados canais da mídia.
Parte da mídia tendenciosa e aética continuaria atrelada de forma até
suspeita assim? Haveria esse nefasto e babaquara anti-Petismo?
Testas-de-ferro da chamada grande imprensa seriam desmascarados? Sonhar
pode, não é? Só tentando mudar para se avaliar erros de percursos e
comportamentos maquiavélicos (hediondos) de parte da chamada grande imprensa
comprometida com o poder, com a burguesia, a classe dominante e até mesmo
agiotas do capital estrangeiro.
Fica a minha sugestão para os caros amigos, caros colegas, caros
jornalistas.
Se tudo a priori não passar de um sonho, pelo menos por ora, vou batalhar
por essa idéia em outras instâncias, até mesmo acionando amigos que,
legislando pelo povo, ou pela verdade e cidadania, possam levar adiante essa
sugestão bem intencionada.
Tudo vale a pena, como cantou o poeta.
E quem for jornalista de boa índole e boa cepa que siga-me.