Professor da Rede Pública de Ensino nesse país, mesmo reconstruindo
esse país; sustentando os poucos pilares ético-sociais desse país,
para que cada sala de aula não seja com as suspeitas falências
das políticas públicas (e no refluxo do sórdido Plano Real
o seu reflexo imediatista nas periferias sociedades anônimas) - uma espécie
assim de micro-febem, ganha uma vergonha de salário-esmola, quando costumam
chamar o tal envelope mensal de holerite-cebola: você rasga e chora! A
Rede TV recentemente divulgou uma reportagem sobre esses professores-mendigos
vendendo Avon para sobreviver; camelôs de ocasião, economia informal
paralela à amoral desestruturação da área que deveria
ser a base desse novo país pós-FHC neoliberal, profissional carecido
ganhando menos do que um mero guardinha do Metrô, ganhando menos do que
um mero delegado de polícia apesar de valer mais do que um juiz e um
médico.
Nesse fulcro, os professores que até professam conteúdos programáticos
com estressantes didáticas afetivas, ainda assim não são
obrigados a serem necessariamente educadores (desvio de função
para suprirem pais incompetentes que não dão educação
de base; ou uma sociedade sem eixo plural-comunitário), e assim, mesmo
por força da chamada missão, acabam sendo enfermeiros, psicólogos,
assistentes sociais, confidentes, anjos-da-guarda, conselheiros, seguranças,
e, com sobrecarga de trabalho (e algumas exigências que beiram ao terrorismo
de alguns meios), trabalhando em várias escolas, cansados, ainda estão
sempre no alce de mira de uma suspeita mídia tendenciosa que deve sentir
saudades suspeitas das privatizações-roubos de nefastas gestões
anteriores; do crime eleitoreiro para enganar incautos ignorantes políticos
que foi o falso sucesso Plano Real (milhões de desempregados), quando
autoridades nefastas trocaram nossa grana pau a pau pelo dólar (e depois
de resultados dúbios não valeu mais nada), e isso é sim,
uma forma de roubo qualificado, e, nesse contexto, quando um mestre de escola
pública ocasionalmente erra logo é achacado, criticado, quase
que sofre um linchamento público, mas, nenhum veículo desses se
posta com informação objetiva e idônea para, ir até
as escolas, e, in loco, saberem a verdadeira desestruturação total
do ensino, as precárias condições de trabalho, a dura realidade
emergente, sendo, felizmente, a única esperança atual, o que recentemente
se ventilou no meio sindical da categoria internacional, a partir de uma reportagem
séria na Europa, de que um doutorando lotado em Universidade na Inglaterra
estaria pesquisando os problemas do total abandono do governo paulista à
categoria à míngua, o que deverá ser tese de doutorado
e um grave desmando técnico-administrativo a ser denunciado diretamente
na ONU/UNESCO (e Banco Mundial) para ver se, finalmente então, a mídia
tucano-liberal acorda, se o Ministério Público tucano-liberal
age, e as autoridades incompetentes sejam finalmente acionadas em juízo,
inclusive via riscos de futuros processos eleitorais, para saberem que há
um outro lado da história toda, professores do estado ganhando numa soma
final quase a exata metade do que, por exemplo, paga a prefeitura de São
Paulo.
Todo esse preâmbulo histórico só para dizer que ficamos
inconformados com a açodada falácia toda em torno do suposto problema
aventado de ter ocorrido em Nova Odessa-SP, com relação à
competente Professora Tânia Regina de Araújo, que eventualmente
teria deixado um aluno por quatro horas de castigo atrás de uma porta,
o que foi agora comprovado que não é verdade, não é
exatamente isso o que ocorreu, infantilidades à parte. Só que
a Rede Globo pegou pesado, a cidade ficou marcada, a professora sofreu toda
sorte de agressão que quase beirou a insanidade própria daqueles
que, inocentes inúteis, aceitam o open-doping da mídia principalmente
televisiva.
No entanto, justiça seja, feita, verdade seja dita, depois de uma transparente
Comissão de Sindicância, constatou-se que era tudo mentira, mal-entendido
ou coisa que o valha, vá lá. Mas, o pior de tudo foi saber que
os pais ao aluno problemático, de forma estranha e suspeita, só
apresentaram a verdadeira prova de que agiram mal, para dizer o mínimo,
quando acionados por um meio judicial, via mandado de busca e apreensão,
o que já coloca o aventado problema todo sob um outro enfoque e com sanções
para os acusadores ignóbeis e vis.
Juridicamente a professora além de ser inocente, ter o respaldo da categoria,
pode e deve mesmo acionar civil e criminalmente os culpados, exigir reparação
legal, entrar com uma ação de perdas e danos (indenizatória),
além de poder - com a nossa solidariedade - pedir o mesmo espaço
da mídia para se manifestar e exigir também indenização
dos veiculadores de inverdades.
Inocente. Isso é para a professora Tânia Regina de Araújo.
Culpados: para todos aqueles que foram coniventes com a situação,
inclusive o estado que legou a educação a esse estado atual, que,
se tivéssemos um Ministério Público mais transparente e
imparcial, pela área de Direitos Humanos já teria acionado em
juízo as autoridades (que não são tão autoridades
assim) pelo descaso de mais de uma década no setor.
Como um teórico da educação, como um crítico social
também, gostaria de, aqui, manifestar minha total solidariedade à
Professora Tânia Regina de Araújo.
Cada um de nós, educadores honrados apesar de tudo; cada cidadão
de Nova Odessa orgulhoso do resultado final da apuração; todos,
devem agora, em pleito de solidariedade e com uma limpa coragem humanista de
resultados, abraçar a Professora Tânia Regina de Araújo
e dizer com respeito, carinho, com muita honra e enorme consideração:
INOCENTE!
Nova Odessa, Verás Que Uma Professora Tua Não Foge à Luta!