"Meu endereço se iguala aos meus sapatos
Viaja comigo/Eu fico onde existe uma luta
contra o errado!"
Mother Jones (Humanista)
Para o Professor Niso Vianna
ANTIGAMENTE... o Amor era uma palavra que por si só já dizia tudo
do afeto que nunca se encerra, não tinha sexismo, cobrança de
provas, velhacarias sentimentais;
ANTIGAMENTE...Bondade era natural, ninguém se vangloriava disso, assim
como ninguém dizia que era honesto porque simplesmente e naturalmente
o era;
ANTIGAMENTE...Coração era conselheiro - consulte sempre seu coração,
diziam os mais sábios - e não se falava em coronária, colesterol,
pressão alta, regime;
ANTIGAMENTE...Dedicação era para tudo: trabalho, escola, família,
igreja, sociedade, não como fuga, mas como parte de um todo sagracial;
ANTIGAMENTE...Esperança era uma coisa que todo mundo tinha, todo mundo
sonhava, tínhamos ilusões, brigávamos pelos nossos sonhos
mais pueris, sabíamos amar o amor e aprender nas suas lições;
ANTIGAMENTE...Felicidade era ter trabalho, ter escola, ter amigos, ter filhos,
ter vizinhos, ter o que dividir com quem precisava;
ANTIGAMENTE...Glória era conseguir pagar o carnê da geladeira,
do carro usado, da casa própria, daquilo que nos dava paz e quilate,
segurança e conforto, ninguém queria ser famoso a troco de nada,
nem ser bruxo, nem ser dono da verdade;
ANTIGAMENTE...Humanismo era natural como tributo de luz, parente era anjo, vizinho
era irmão, amigo era da família e a família era para sempre,
em qualquer situação, éramos unidos e bem criados;
ANTIGAMENTE...Identidade era nosso documento presencial, nossa vivência
táctil, nosso fio de bigode, nosso olho no olho, que valia mais do que
uma assinatura, uma impressão digital ou um mero reconhecimento de firma;
ANTIGAMENTE...Jovem era tudo o que queríamos ser, criança sonhava
esse tempo, maduros queríamos voltar pra essa época de ouro, não
precisávamos destruir, ferir, se drogar para dizer rebeldias, causas,
descontentamentos, idéias e ideais;
ANTIGAMENTE...Liberdade não era um carro, uma calça nova, um cigarro,
uma química, um tênis ki-chute, uma bebida, uma viagem; éramos
livres e sabíamos o que fazer dessa bandeira de luz e harmonia construtora
de mudanças limpas, que fosse o melhor para todos;
ANTIGAMENTE...Moral não era medida pela policia, pelo bandido, não
era pelas nossas próprias mãos ou olho gordo, não éramos
reféns do que hoje tarda e falha na justiça com suspeita mistura
de ambos os lados num mesmo pântano exibicionista;
ANTIGAMENTE...a palavra Não era uma palavra que ouvíamos normalmente,
nada nos era dado de graça, quem amava punia, e sempre ouvíamos
Não para sabermos limites, regras, intenções, nódoas,
quem mandava e porque motivo e construção de conhecimento também;
ANTIGAMENTE...Orgulho era de amarmos os pais, os filhos, a pátria, a
escola, a sociedade, os hinos, não o carro, a usura, a avareza, o status
que nos tornou sub-seres, vulgares, neobobos;
ANTIGAMENTE...Poesia era um gol de Garrincha, uma tela de Portinari, uma balada
de Chico Buarque, um poema de Manuel Bandeira, um beijo de novela, um pôr
de sol lírio-laranja, uma aurora cor de abóbora na Estância
boêmia de Itararé:
ANTIGAMENTE... Querida era uma palavra que dizíamos à Mãe,
à mulher amada, à filha, à Professora, à médica,
à irmã, à sobrinha, à vizinha comunidade solidária
porque éramos transparentes, felizes e tínhamos doces intenções
de amor e paz;
ANTIGAMENTE...Resolver era agir, trabalhar mais para ganhar mais - não
emprestar para depois ter que sofrer para pagar o que por si mesmo não
pode suprir - Resolver era levantar mais cedo, trabalhar sábado, fazer
hora extra, valorar a força, a dedicação, a determinação
para comprar à vista e pagar com o nosso próprio suor limpo, sem
o fiador usado ou o endosso do arbítrio pelo consumismo ignóbil
e vilão;
ANTIGAMENTE... Sucesso era uma calça leve, um gostoso par de sapatos
velhos nos pés de lutadores, um mate gelado, um samba de Paulinho da
Viola, o radinho ligado para se ouvir Vicente Leporace, Fiore Giglioti, Ferreira
Martins, Hélio Ribeiro - dedique uma canção a quem se ama
- e ainda dizer que rádio era sonho, ilusão, encantamento, paz
de espírito, caixa de pandora, sétimo céu de um coração
alumbrado;
Antigamente...TUDO era tão pouco, tudo era tão simples, arroz,
feijão, ovo frito colhido ao pé da laranjeira com grinaldas, salada
de couve rasgada, e a mão da mãe dando a Bença, porque
éramos felizes e acreditávamos na força da vida como salada
de frutas caseiras;
Antigamente...União provia, somava, pensava os carentes, todo poder emanava
do povo e em seu nome era exercido, e o povo cobrava e sabia cobrar, não
trocava gato por lebre e sabia de que lado estavam as coisas, os erros, os errados,
não havia confusão desproposital na cabeça dos seres humanos
que confiavam no verde-amarelo e sabiam dizer Não ao Não;
ANTIGAMENTE...Viver era dormir bem, comer bem, acordar macio, estudar muito,
ler bastante, amar intensamente, acreditar num Deus vivo, no diálogo,
no ombro amigo, na palavra empenhada, numa troca, numa soma, num altar de edificações
espirituais;
NTIGAMENTE...Zelo era conosco, com nosso nome, com nossa equipe, com nossa família,
com nosso crédito, com nossa fé, com nossa confiança, tínhamos
o pouco que nos bastava, não o muito de quem tiramos por lucros injustos
e riquezas impunes, com conquistas que não levam a nada;
ANTIGAMENTE...
-A policia não precisava investigar a policia
-Professor não precisava ensinar caráter e educação,
os alunos traziam de casa, do berço, do lar, da família, de próprio
acervo grupal
-As louras eram de verdade
-Bandidos não lucravam com o crime organizado do capital público
nos antros privados a título de falso modernismo em privatizações
que foram privatarias
-A televisão não concorria com campos de nudismo
-Jovens liam de tudo
-Os pobres eram honestos
-Amigos da escola eram as autoridades constituídas, não amigos
do alheio querendo faturar com a terceirização neoescravista de
neoliberais em tempos ímprobos
-Professor ganhava igual juiz
-Chuchu era trivial e comum, nascia e crescia em monturos, não era adjetivo
próprio para tentar qualificar o inqualificável
-Álcool era uma coisa de uso mais civilizado
-Jogador de futebol honrava a camisa do seu time de coração e
sonhava a seleção para morrer pela pátria de chuteiras
-Grife era uma coisa que não significava nada e o conteúdo valia
muito mais como essência sem rótulo ou máscara
-Você sabia quem era quem, e quem não era ninguém ou só
queria aparecer em seara alheia
-A imprensa era ética e jogava no time da democracia social por uma gama
brasileirinha que fosse também brasileiríssima
-Novela era sempre um conto de fadas com ótimo astral e ótimo
humor
-Poesia era coisa linda e chique e se dizia assim em alto e bom tom com garbo
e fundo musical escolhido pela alma
-Não havia Abecedário de nada, pois o verdadeiro caminho suave
era o prazer de viver e amar, pois ser feliz era o que queríamos com
as mãos limpas e o espírito tranqüilo
Se pudéssemos limpar as portas da percepção, tudo se revelaria
tal como é, INFINITO, diria William Blake,
Por isso sonhamos almas revisitadas, mudanças de ventos, alterações
de planos, trazendo o bom de antigamente com as conquista de agora para a soma
de um futuro bem melhor no ruflar bento do amanhã que já está
se abrindo em corações e mentes daqueles seres limpos que acreditam
no sonho...que acreditam na Esperança...SEMPRE
E quem for brasileiro que siga-me!.