Na semana passada, encaminhei uma mensagem via e-mail para alguns amigos (e
outros nem tanto), onde eu fazia um pedido no mínimo inusitado. Solicitei
que escrevessem algo sobre minha pessoa. Expliquei, ainda, que não precisava
ser nada extenso, mas que escrevessem tudo que lhe viessem à cabeça
quando pensassem em mim. Para arrematar, avisei que se tratava de um pedido
do meu psiquiatra, e que fizessem isso por mim até segunda-feira, quando
iria novamente à consulta para levar os textos.
Diante das respostas recebidas, muitas vezes, não me continha em dar
umas boas gargalhadas. Outras vezes, ficava surpreendido, principalmente, porque
vivia a oportunidade de enxergar a mim mesmo com os olhos dos outros.
A cada instante eu era lembrado das minhas virtudes. Algumas, - confesso- sequer
tinha consciência de que as possuía. Mas também houve quem
me apontassem os defeitos que, de agora em diante, vou tentar bani-los de minha
vida, se é que isso é possível, já que sou um ser
humano e, como tal, também sujeito as imperfeições. Mas
uma coisa é certa: procurarei ser uma pessoa bem melhor.
O curioso é que teve quem viu na iniciativa, uma simples brincadeira
minha ( o que realmente é verdade). Outros pensaram tratar-se de mais
um vírus desses que infernizam a vida de quem navega pela internet. A
maioria externou sua preocupação com o meu "estado de saúde",
devido a minha vida atribulada nos últimos tempos.
Uma jornalista amiga escreveu: "- Você nunca me deixou sem resposta,
mesmo que fosse pra dizer que não iria poder me ajudar. Você sabe
que é especial e meu braço direito, minha melhor fonte e o primeiro
nome do qual me lembro nos momentos de aperto aqui na redação.
Você continua em um espaço terno e cheio de carinho em meu coração".
A preocupação de alguns amigos foi tanta que em uma das mensagens
recebida dizia o seguinte: "- Pense em Deus, na sua família. Pense
nos seus amigos que lhe querem bem. Lembre-se, você é imortal de
Academia de Letras, mas não é imorrível. Por isso, antes
de apertar o gatilho, conte até dez..."