O palhaço
Ontem lhe arrancara a vida a mulher amada, hoje desespera-se com a filhinha ardendo em febre; escuta ao lado seu nome ovacionado pela plebe, reclamam o palhaço, a diversão da meninada.Do camarim a pintura lhe cai lacrimejada e mostra na arena uma tristeza alegre; o amor àquela gente não deixa que se entregue. Com caretas canta e ri-Hoje tem marmelada? Aos risos da galera espalha sua graça e disfarça na maquiagem num sorriso inteiro um indefinível pesar que a angústia traça... Permite-se aquela dor- um punhal cravado- e enquanto cambalhotas dá no picadeiro rasga-lhe o peito o coração ensangüentado.
xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx
|