A Garganta da Serpente
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PELE NUA

A mente no lume vagueia,
Eu não entendo seu gosto,
Amordaceia a serpente,
E fere com fogo seu rosto.

O corpo inteiro despido,
Depois de amar a lua.
Suas mãos cingem o tecido,
Que te cobre à pele nua.

A alma atende um pedido,
A razão vem inconsteste.
Contempla seus cabelos tingidos,
No espelho que se reflete.

O mundo lhe rouba as cores,
A luz que em seus olhos alumia.
Profana seu vaso de flores,
E nem a tensão alivia.


Lugo de Paula



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