A Garganta da Serpente
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MINHA MORTE NO JARDIM

Também ali deixei tudo meu
- que triste!
Era apenas uma noite negra
sem luz
sem lua
e cheia só mi'a fome de pôr termo
ao bicho
a mim mesmo.
Os meus olhos nunca repararam as flores
com toda Poesia que de mim saía.

Foi muito triste o fim,
antes do ofídio,
de meu amor cantado a vida inteira
(o passaporte pro outro mundo).
E jamais tive sossego
não dormi meus sonhos
nem os sonos profundos.
Só reservei-me dor
entenebrecimento
inferno
e loucura.

Parti da tertúlia dos amantes
pra ter-me ao mais baixo de mim.
Hoje sou lembrança dos séculos eximidos
que no jardim
não contam datas
e é tudo destempero
                             e vergonha
                                            pro Absoluto.
(morri mais feio que o Affonso!)


Luiz Eduardo



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